Crise de crédito fará emigrante enviar menos recursos ao Brasil
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central espera que os brasileiros que residem nos Estados Unidos enviem menos dinheiro para as suas famílias no Brasil. A projeção foi reduzida em cerca de US$ 300 milhões e reflete, basicamente, os problemas de oferta de crédito que serão enfrentados por esses emigrantes.
"É de se esperar que os brasileiros que ali residem remetam menos", afirmou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC.
Os brasileiros que vivem nos EUA são os que mais enviam dinheiro para o Brasil. Foram US$ 947 milhões até agosto. Em segundo lugar aparece o Japão, como US$ 444 milhões. Ao todo, as remessas de residentes no exterior totalizam US$ 1,911 bilhão nos primeiros oito meses do ano.
As remessas de residentes fazem parte da conta de transferências unilaterais das contas externas brasileiras. No ano, ela está positiva em US$ 2,750 bilhões (o valor inclui também as transferências governamentais) e a previsão para o ano foi reduzida de US$ 4,5 bilhões para US$ 4,2 bilhões. A redução foi, basicamente, pela expectativa do menor envio de remessas dos emigrantes brasileiros nos EUA.
No final de julho, os mercados mundiais sofreram um forte turbulência com os problemas do setor imobiliário nos Estados Unidos. Esse movimento foi acentuado em agosto. Isso ocorreu porque houve um temor sobre a oferta de crédito disponível, já que foi detectada uma alta inadimplência do segmento de maior risco ("subprime").
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