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Dinheiro
21/09/2007 - 21h00

Diretor diz que deixa Petrobras "sem alegria e sem espanto"

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da Folha Online

Ildo Sauer, que será substituído por Maria das Graças Foster na diretoria de Gás e Energia da Petrobras, divulgou uma carta de despedida em que diz que recebeu a notícia de seu afastamento "sem alegria e sem espanto". A troca foi oficialmente decidida na reunião do conselho de administração da empresa nesta sexta-feira no Rio. No lugar de Foster ficará o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.

Na extensa carta, Sauer diz ainda que "o setor de petróleo é um campo de dramáticas disputas econômicas e políticas" e que, "nessa arena, o gás natural nas últimas décadas cresceu enormemente de importância".

Ao longo da despedida Sauer lembra as ações de sua diretoria durante os quatro anos e oito meses em que ficou no comando e que, na diretoria de Gás e Energia, formou com sua equipe uma "estrutura de gestão que livrou o setor de um vício que sempre ronda os dirigentes das empresas públicas: o de serem despachantes de interesses de minorias poderosas."

"Limpamos e reestruturamos totalmente as verdadeiras cavalariças em que tinha se convertido o plano emergencial de geração termoelétrica a gás natural elaborado pelo governo Fernando Henrique no desespero vão de tentar, a partir de 1999, evitar o apagão de energia elétrica", afirma.

Segundo Sauer, dos 50 projetos daquela época, 22 se concretizaram. Destes, 12 foram construídos ou assumidos pela Petrobras. Para o diretor, a estatal foi a "salvadora em última instância de vários desses projetos; e, em outros, não podia pactuar com contratos que, não só eu, como juízes e administradores públicos de notória responsabilidade, classificaram, com propriedade, como "imorais"", afirma.

Na área de biocombustíveis, Sauer diz que houve um esforço por parte da equipe para viabilizar os projetos. "Não para reforçar os esquemas antigos de exploração e de integração subordinada da agricultura familiar. Nem para fomentar a demagogia de que o mundo será salvo se ampliarmos os canaviais e as plantações de oleaginosas para produzir álcool combustível e biodiesel. Mas para unir os interesses dos sócios controladores da Petrobras, que somos nós, com os interesses dos trabalhadores e dos pequenos e médios produtores", afirma.

Agora, Sauer diz que voltará a exercer a função de professor universitário em São Paulo e que, durante o período à frente da diretoria, praticamente deixou a casa onde vivia com sua mulher a filha, Luísa, na época da posse com 13 anos.

Por fim, Sauer cita textos postados pela filha na internet e faz analogia ao filme "Queimada" (1971), do diretor italiano Gillo Pontecorvo e com Marlon Brando no elenco. O filme, passado em 1845 em uma ilha do Caribe (Queimadas), relata a troca do sistema de escravidão português pelo trabalho assalariado, depois de manobras do império britânico.

Depois de citar o filme, Sauer conclui: "De repente me dei conta de que posso não ter sido afastado da Petrobras por meus defeitos. Mas pelas virtudes das pessoas de cujas lutas participei e vou continuar participando".

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