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Dinheiro
24/09/2007 - 13h01

Rato diz que efeitos da crise poderão ser sentidos em 2008

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da Efe, em Madri

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Rodrigo de Rato, afirmou nesta segunda-feira que a recente crise financeira "está sendo corrigida lentamente" e advertiu que seus efeitos sobre a economia real começarão a ser sentidos em 2008, principalmente nos Estados Unidos.

Em declarações aos jornalistas antes de participar da Conferência Anual do Clube de Roma, realizada em Madri, o dirigente da instituição ressaltou que a situação vivenciada nos últimos meses nos mercados financeiros foi uma crise "séria."

Seus efeitos começarão a ser sentidos em 2008, em particular nos Estados Unidos, enquanto na Europa o impacto será menor.

Ele acrescentou que a crise gerada pelas hipotecas de alto risco ("subprime") representará uma revisão do modo no qual o risco é qualificado.

"As condições dos mercados financeiros são diferentes agora", afirmou Rato, ressaltando que, no entanto, estas mudanças ocorreram em um contexto econômico positivo.

Durante seu discurso, o diretor-gerente do FMI elogiou a importância do crescimento econômico --que está ligado ao bem-estar dos cidadãos-- e acrescentou que a eficiência dos recursos gera melhoras contínuas nos níveis de vida, "apesar de nem sempre beneficiar todos."

Rato destacou que o crescimento mundial em 2008 será "levemente menor" que o de 2006 e 2007. Segundo ele, a sociedade enfrenta "desafios" em áreas como "globalização financeira, tensões em política para o meio ambiente --principalmente pela mudança climática-- e tensões pelas mudanças demográficas."

Sobre a crise nos mercados financeiros, ressaltou que "o episódio deve servir de lição aos reguladores, para que aumentem a transparência e assegurem que há incentivos para que os mercados funcionem."

Neste sentido, Rato disse que os investidores precisam ter noção de que investir em algo que não entendem é "um risco" e, por isso, defendeu o aumento "da educação financeira dos consumidores."

Em relação à mudança climática, ele lembrou uma frase do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que afirmou que "é o principal fator que pode trazer risco à civilização."

Rato afirmou que a mudança climática "não é prejudicial, mas é catastrófica", acrescentando que é uma questão "crucial" para o futuro da sociedade.

Ele também ressaltou que "as empresas que emitem estes gases estão entre as maiores do mundo", frisou que "as maiores conseqüências incidirão sobre as gerações futuras" e, por isso, recomendou a máxima "coordenação e cooperação" entre todas as instituições.

O diretor-gerente do FMI demonstrou preocupação com os efeitos econômicos que serão causados pelo envelhecimento da população, "não apenas nos países industrializados, mas também nos emergentes."

Por isso, recomendou reformas estruturais para melhorar a produtividade, mudanças no sistema de saúde "com uma maior ênfase na medicina preventiva e nos hábitos mais saudáveis para a população" e reformas nos sistemas previdenciários, "com um aumento da eficiência dos mercados trabalhistas."

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