Dinheiro
25/09/2007 - 10h00

"TV digital vai estrear para ninguém", diz diretor da TVA

DIÓGENES MUNIZ
Editor-assistente de Ilustrada da Folha Online

No dia 2 de dezembro de 2007, quando a TV aberta brasileira estrear oficialmente sua transmissão digital em São Paulo, haverá menos de 1.000 pessoas --numa cidade com cerca de 11 milhões-- assistindo aos programas em alta definição. Para Virgílio Amaral, diretor de Estratégia e Tecnologia da TVA, este é o quadro mais otimista para início da TV digital no Brasil.

"Vai ser uma estréia para ninguém", diz Amaral, especialista no setor e responsável pela digitalização da TVA. Para ele, a TV digital deve estrear mesmo no ano que vem, turbinada pela transmissão dos Jogos Olímpicos de Pequim. "Não vejo de forma ruim este começo. Afinal, a TV digital vai depender de um processo de aculturamento", pondera.

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Aparelhos Full HD, como este da Sharp, poderão receber imagem em alta definição total, de 1.080 linhas
Aparelhos Full HD, como este da Sharp, poderão receber imagem em alta definição total, de 1.080 linhas

Para pegar freqüência digital, o telespectador precisará de um aparelho com set-top box (conversor) avulso ou embutido. Se quiser a imagem mais nítida possível, de 1.080 linhas horizontais, terá de comprar um televisor do tipo Full High Definition. Os preços para este tipo de eletrodoméstico começam na casa dos R$ 7 mil, sem set-top box acoplado.

"Muita gente acha que ter uma TV de plasma ou LCD qualquer com um receptor digital embutido já dá para receber o melhor conteúdo em alta definição, quando, na verdade, você precisa de uma Full HD para ter a alta definição total", explica Amaral.

Tanta resolução foi, segundo o governo, um dos principais aspectos para o Brasil escolher o padrão japonês de TV digital (ISDB-T), em detrimento do europeu (DVB), que daria mais opções de canais e de interatividade.

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Set-top box da Aiko, ainda sem preço definido, chega ao mercado nas próximas semanas
Set-top box da Aiko, ainda sem preço definido, chega ao mercado nas próximas semanas

O set-top box, decodificador que receberá o sinal tanto para TVs analógicas quanto digitais, estará a venda já em novembro, prometem os fabricantes. Seu preço segue nebuloso --governo e indústria cantam em acordes diferentes, oscilando o custo de prateleira de R$ 200 a R$ 800.

Aparelhos com set-top box embutido também chegam ao mercado em novembro. LG e Samsung já confirmaram a entrada neste setor. Outras empresas, como Panasonic e Aiko apostarão nos conversores. A lógica é de que haverá mais mercado para as caixas receptoras do que para novos televisores.

A chance da imagem em alta definição total se transformar num boto tecnológico é alta. "O consumidor que procura uma TV hoje avalia dois aspectos: quantas polegadas tem o aparelho e qual seu preço. Ao consumidor médio, pouco importa esses aspectos mais técnicos", diz o diretor da TVA.

Assim como o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, ele aposta que o governo precisará expandir seu cronograma de implantação da TV digital. Segundo o ministério das comunicações, o sinal analógico será cortado até 2016, e daí em diante só haverá transmissão digital. Assim como a estréia da TV digital em dezembro, esta seria uma outra data meramente simbólica.

Eterno retorno

Reprodução
Chateaubriand recorreu a 200 aparelhos para lançar TV no Brasil
Chateaubriand recorreu a 200 aparelhos para lançar TV no Brasil

Como quase ninguém assistirá à bela imagem da TV digital em sua estréia, supermercados, shoppings, lojas de eletrônicos e até emissoras já começaram a expor TVs Full HD com programação digital de teste pela cidade.

"Isso lembra a estréia da TV a cores. Naquela época, eu só conseguia ver [a novela] 'Bem-Amado' colorida se fosse numa loja. O problema é que ela começava de noite, quando os estabelecimentos já estavam fechando", brinca Amaral, que assistirá à estréia da TV digital em alta definição de sua casa.

Neste sentido, a digitalização da TV aberta lembra ainda as primeiras transmissões televisionadas no país, que fizeram neste mês aniversário de 57 anos.

Na época, Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi, distribuiu 200 aparelhos entre lugares estratégicos e mais abastados da capital paulista. Curiosidade: para cumprir o cronograma, Chatô precisou contrabandeá-los dos EUA.

Comentários dos leitores
Ivan Eichemberger Bonafe (55) 27/08/2008 18h05
Ivan Eichemberger Bonafe (55) 27/08/2008 18h05
essa declaração de que não compensa uma emissora oferecer mais opções aos telespectadores mostra que a escolha do padrão japonês foi mais um erro cometido pelo brasil, foi para matar a mídia independente e manter a panelinha atual, mas se esse país evoluir como todos esperamos, o tiro vai sair pela culatra, a própria televisão brasileira vai enfraquecer, já que continuaremos tendo pouquíssimas opções na tv e o brasileiro mais endinheirado e mais culto vai ter nojo de tv (já acontece hj), ninguém mais vai ter o aparelho de tv em casa daqui 20 anos quando a web tiver conexão à 200 megas... pelo bem de todos nós. sem opinião
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Marcos Vilela (1) 27/08/2008 12h08
Marcos Vilela (1) 27/08/2008 12h08
Gosto muito de esportes, e por isso tenho uma grande preocupação: 1º) Os canais SPORTV, pertencem a Rede Globo e abriram 5 canais para os assinantes acompanharem aos jogos olímpicos, que por sinal conseguiram realizar uma cobetura estupenda, extraordinária, maravilhosa. 2º A Rede Record não possue canais de esportes em Canal fechado. Ficaremos (nós assinantes) somente com Tv Aberta para acompanhar esses esportes que a Rede Record adquiriu? 4 opiniões
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Alacir Coelho (7) 27/08/2008 10h43
Alacir Coelho (7) 27/08/2008 10h43
Muito bom saber que a Globo perdeu os direitos de transmissão do Pan 2011 e da Olimpiadas 2012.
Agora quero saber como ela vai reagir diante de um toco deste tamanho. Bem, Galvão não iremos ver voce nas Olimpiadas, acho que essa foi a ultima olimpiada que narrou ou melhor gritou.... que sorte a nossa. Abraços
4 opiniões
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