Corte de juros e demanda puxarão crescimento em 2008, diz Meirelles
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a afirmar que os efeitos de política de redução de juros ainda não causaram todo o efeito sobre a economia.
Ele acredita que esse fator, aliado ao crescimento da demanda interna, irá auxiliar o crescimento do PIB no ano que vem. "A economia brasileira cresce pela demanda interna, baseado no aumento da renda e do crédito em um ambiente de flexibilização da política monetária, que não mostrou todo o seu efeito", afirmou Meirelles após audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), do Senado.
O processo de redução da taxa básica de juros, a Selic, foi iniciado em setembro de 2005 e a Selic está hoje em 11,25% ao ano. Analistas do mercado financeiro apostam em mais um corte de 0,25 ponto percentual ainda neste ano.
Para Meirelles, o Brasil hoje tem mais condições para enfrentar situações de turbulência e, ainda assim, manter o crescimento da economia. "O Brasil não é imune, como ninguém é, mas está hoje muito mais equipado e com economia sólida", afirmou.
Para Meirelles, a estabilidade da economia ficou clara com as recentes turbulências do mercado financeiro, provocada pela crise de crédito imbiliário nos EUA
Compulsório
Durante a audiência, o presidente do BC defendeu que o processo de redução dos juros era mais importante para a economia brasileira do que a redução dos compulsórios e que a avaliação sobre o efeito em se reduzir as alíquotas dos compulsórios é menos preciso do que o efeito do corte da Selic..
O compulsório é o nome da parcela dos depósitos dos clientes que os bancos são obrigados a recolher ao BC. As alíquotas hoje estão em 45% para os depósitos à vista e 15% para os depósitos a prazo, sem remuneração. Além disso, outros 8%, em cada categoria, também são retidos, mas a autoridade remunera esses recursos com a Selic.
Superávit primário
Meirelles afirmou ainda que a adoção de metas de superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) são mais adequadas aos países. A meta deste ano é equivalente a 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto).
"O superávit primário é mais adequado porque é menos suscetível à variação dos juros", explicou.
Para ele, o déficit nominal zero (receitas menos despesas, incluindo gastos com juros) será uma conseqüência dessa política e que hoje esse indicador já está abaixo do praticado em alguns países da Europa.
Nos 12 meses encerrados em julho, o superávit primário está em 4,37% do PIB e o resultado nominal está negativo em 2,08% do PIB.
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