Gastos de final de ano reduzirão superávit primário, diz Lopes
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O aumento dos gastos no final do ano irá reduzir a economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida. Nos dois meses encerrados em agosto, ela está em 4,12% do PIB (Produto Interno Bruto). O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, espera que ela caia para cerca de 3,8%.
"É natural que se tenha dispêndios [gastos] mais elevados no final do ano e se crê em uma elevação dos investimentos. É bastante provável que você tenha uma trajetória mais próxima de 4,1% com tendência de queda", afirmou.
O governo tem neste ano uma meta de superávit para o ano de R$ 95,89 bilhões --cerca de 3,8% do PIB. No acumulado nos 12 meses encerrados em agosto, a economia está em R$ 101,861 bilhões, o equivalente a 4,12% do PIB. Em julho, estava em 4,35%.
Segundo ele, cumprir ou não a meta irá depender do ritmo dos gastos neste final de ano.
Em relação aos juros pagos pelo setor público consolidado (União, Estados, municípios e estatais), eles somam R$ 103,889 bilhões entre janeiro e agosto e R$ 153, 251 bilhões em 12 meses.
Lopes destacou que na análise dos 12 meses há um queda no gasto com juros, de 6,43% em julho para 6,20% no mês passado. Ele explicou que essa queda é conseqüência do processo de redução das taxas de juros, iniciado em setembro de 2005, e que o corte na taxa Selic tem impacto no longo prazo.
"A previsão é fechar o ano com 6,1%. A tendência é de queda, que deve permanecer por mais tempo."
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Entenda o que é o superávit primário e seu impacto sobre a dívida
- Dívida líquida do setor público cai para 43,1% do PIB
- União, Estados e municípios gastam R$ 103 bi com juros no ano
- Até agosto, governo gasta menos de 30% do previsto para o ano
- Saldo de transações externas fica positivo em R$ 1,35 bi em agosto
Especial

