Bancos britânicos rejeitam crédito de emergência do BC inglês
da Efe, em Londres
Muitas entidades financeiras britânicas rejeitaram nesta quarta-feira acudir ao crédito de emergência de 10 bilhões de libras (US$ 20,15 bilhões) que o Banco da Inglaterra (banco central do Reino Unido) injetou no sistema para aliviar a tensão dos mercados financeiros, informa o jornal inglês "The Times".
O banco emissor --que informou sobre a manobra há uma semana-- tomou a decisão para se assegurar de que as entidades de crédito não tenham que enfrentar a crise de liquidez vivida pelo Northern Rock.
Esse banco, quinto maior do setor de hipotecas no Reino Unido, perdeu em torno de 75% de seu valor da bolsa e pelo menos 8% de seus depósitos após ter sido forçado a pedir dinheiro de emergência devido à crise financeira que teve sua origem nas problemáticas hipotecas de alto risco ("subprime") americanas.
O dinheiro emprestado pelo Banco da Inglaterra tem hoje taxas de juros de 6,75% ou superior, maior do que já estão sendo cobrados pelos bancos entre si, graças a uma forte queda dessa taxa nos últimos dias.
Segundo a "BBC", a queda na taxa de juros no mercado livre interbancário a três meses ou longo prazo para os 6,34% de hoje demonstra que o mercado estaria voltando à normalidade após as turbulências financeiras que começaram no final de julho.
Alguns banqueiros declararam que a taxa de juros mínima de 6,75% é proibitiva.
Também há preocupações de que o mercado e a sociedade britânica saibam que bancos acodem a esse crédito de emergência --cuja utilização é secreta, mas os rumores na City (centro financeiro de Londres) poderiam identificar os nomes das entidades-- acrescentou o canal estatal.
A injeção de liquidez para empréstimos a bancos a longo prazo, a primeira da história, se viu como um autêntico giro na política do banco emissor presidido por Mervyn King.
King teve que dar explicações perante um comitê parlamentar na semana passada sobre a decisão, que muitos criticaram como tardia, e sobre a crise do Northern Rock.
Em seu discurso, o governador disse que teria sido irresponsável intervir já em agosto, quando se percebeu o problema da entidade de crédito, porque teria "semeado o pânico nos mercados."
O Banco da Inglaterra tinha injetado no sistema bancário 4,4 bilhões de libras (US$ 8,86 bilhões) em duas ocasiões alguns dias antes do anúncio dos 10 bilhões de libras, mas nessas ocasiões era para empréstimos a um dia, uma medida mais comum.
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