BC eleva previsão de inflação para 4% e mantém PIB em 4,7%
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central manteve a expectativa em relação ao crescimento da economia brasileira para este ano. A aposta é que o PIB (Produto Interno Bruto) terá uma expansão de 4,7%, mesma previsão de junho. Já a projeção de inflação foi elevada de 3,5% para 4%. As duas previsões constam do "Relatório de Inflação", divulgado nesta quinta-feira.
"O resultado [crescimento de 0,8% no segundo trimestre], ao ratificar o desempenho de indicadores setoriais antecedentes, revela a continuidade do crescimento da atividade da economia, estimulada tanto pelos aumentos da renda real e do emprego como pela continuidade da flexibilização da política monetária", afirma o documento.
Em relação à expansão da economia, o BC fez uma revisão para baixo do PIB do setor agropecuário, que passou de 7% para 4,5%. A previsão para o setor industrial foi elevada de 4,4% para 4,6% e do setor de serviços, foi mantida em 4,3%.
Sobre as turbulências que atingiram os mercados financeiros desde o final de julho e que se intensificaram em agosto, o BC afirma que não representa risco para o cenário inflacionário brasileiro e não houve impacto sobre a percepção de risco do Brasil.
Inflação
Sobre a inflação, a previsão está dentro da meta, que é um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. A previsão é que é praticamente nula a probabilidade de a inflação ficar acima da margem superior da meta.
Mais uma vez, a autoridade monetária destacou que irá continuar a agir de forma prudente no que diz respeito ao processo de corte de juros e lembrou que as decisões tomadas a partir de agora terão efeito na economia e na inflação de 2008. Entre o relatório de junho e o de setembro, a Selic passou por duas reduções, uma de meio ponto percentual e outra de 0,25 ponto e encontra-se hoje em 11,25% ao ano.
"Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom [Comitê de Política Monetária] tem optado por uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. (...) A prudência passa a ter papel ainda mais importante, dentro deste processo, em momentos, como atualmente, nos quais a deterioração do balanço dos riscos inflacionários reduz a margem de segurança da política monetária", afirma o documento divulgado nesta quinta-feira.
A previsão do BC para inflação leva em conta o chamado cenário de referência, que é uma taxa Selic estável em 11,25% ao ano e um dólar cotado a R$ 1,95.
Já no cenário de mercado, que trabalha com os dados da pesquisa feita semanalmente pelo BC junto a analistas do mercado financeiro, a previsão de inflação para este ano foi revista de 3,5% para 3,9%.
As elevações, segundo o BC, foram causadas porque a inflação registrada desde o último relatório ficou acima do esperado nos dois cenários.
Para 2008, a previsão é de um IPCA de 4,2% no cenário de referência e de 4,3% no cenário de mercado, ante 4,1% e 4,6%, respectivamente.
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