FGV eleva projeção do IGP-M para 5% neste ano
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A FGV (Fundação Getúlio Vargas) elevou a previsão do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) em 1 ponto percentual no intervalo de dois meses. A entidade estima que o índice, utilizado como referência para o reajuste de aluguéis, energia elétrica e outros contratos privados de serviços, vá fechar o ano em torno de 5%.
Com a perspectiva, o coordenador de análise econômica da FGV, Salomão Quadros, já cogita a possibilidade de retomada da pressão de preços de itens administráveis, como serviços e tarifas, na inflação em 2008.
Em 12 meses, o IGP-M acumula alta de 5,67%. Segundo Quadros, o patamar alcançado até setembro dificulta a reversão do quadro nos próximos três meses --ou seja, que o índice fique ainda em torno dos 4% projetados em julho.
"Até o fim do primeiro semestre, dava a entender que o IGP-M ficaria abaixo da estimativa de 4%, que foi mantida até julho. Com a taxa de 5,67% no ano, essa previsão é impossível. É possível que fique um pouco abaixo de 5%", explicou Quadros. Segundo ele, há espaço para uma leve desaceleração da taxa anualizada até dezembro, com a exclusão da série de 12 meses do choque agrícola do final do ano passado.
No último boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, os analistas ajustaram para cima a previsão para o IGP-M, de 4,85% para 4,96% neste ano. Para 2008, a previsão está em 4,18%.
Nesta quinta-feira, a fundação divulgou que o IGP-M alcançou 1,29% em setembro, ante alta de 0,98% em agosto. O resultado neste mês foi o maior desde julho de 2004, quando houve alta de 1,31%. "Entre 2004 e agora, há elementos parecidos, mas não com a mesma intensidade e alcance setorial, que é muito menor hoje. Agora, há pressão dos produtos agropecuários, ao contrário de 2004, quando atingiu também a siderurgia", explicou.
Para Quadros, o ajuste maior dos preços dos produtos agrícolas já passou, principalmente com o equilíbrio da cadeia do leite e da carne, que puxaram a lata de preços nos últimos meses. No atacado, a carne bovina caiu de 6,26% positivo em agosto para 0,13% negativo em setembro e o leite in natura, desacelerou de 10,62% para 6,63%.
Para outubro, Quadros prevê inflação para o IGP-M inferior aos 1,29% deste mês. "Se vai ficar abaixo de 0,98% de agosto, não se sabe, mas é possível", avaliou Quadros. Segundo ele, o pão francês e o arroz, com menor intensidade, devem conter a desaceleração do índice em outubro.
No varejo, em setembro, o pão francês caiu 0,29% em relação a agosto. Em 12 meses, a alta foi de 4,28% --ante aumento do preço da farinha de 27,25% no atacado e de 53,59% do trigo no mesmo período. "A farinha de trigo subiu a metade em relação ao trigo, e o pão menos que isso. Há muita margem de repasse para o varejo", disse Salomão.
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