Vendas pendentes de casas nos EUA batem recorde de baixa em agosto
da Folha Online
As vendas pendentes de casas nos EUA tiveram recorde de baixa no mês de agosto, com o índice apurado pela NAR (Associação Nacional de Corretores de Imóveis, na sigla em inglês) chegando a 85,5 pontos, menor desde que começou a ser apurado, em janeiro de 2001. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela associação.
Na comparação com julho, as vendas tiveram queda de 6,5% e, na comparação com agosto de 2006, a queda foi de 21,5%.
A expectativa de analistas do setor imobiliário era de uma queda de apenas 2%. O índice de vendas pendentes é visto como indicador de vendas para os próximos dois meses. A leitura de 100 pontos é a base, estabelecida em 2001.
O índice é baseado em uma amostra de cerca de 20% das vendas de casas já construídas e é visto pelos economistas como indicador da situação do mercado semanas à frente. O dado leva em conta as vendas nas quais os contratos já foram assinados mas a transação ainda não foi concluída.
Ontem, o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan disse que o mercado imobiliário dos EUA tem um "longo caminho" a percorrer antes de encontrar a estabilidade após a crise das hipotecas de risco. "O que concluo é que o processo de ajuste dos estoques acabou de começar e temos um longo caminho a percorrer antes que os mercados de imóveis residenciais e hipotecário nos EUA se estabilizem", disse.
As vendas de casas novas nos EUA caíram 8,3% em agosto, recuando para 795 mil unidades, menor nível de vendas desde junho de 2000. Já as vendas de casas usadas no país tiveram queda de 4,3% em agosto na comparação com julho, recuando para uma taxa anualizada de 5,5 milhões de unidades. Foi o menor ritmo desde agosto de 2002.
Preços
Greenspan afirmou que os preços dos imóveis residenciais devem continuar a cair devido ao aumento crescente dos estoques. "Como em situações similares de excesso de estoques, espero que os preços das casas continuem a cair até que o ponto de liquidação de estoques atinja seu pico."
De fato, o declínio dos preços já atingiu níveis acentuados. Em julho, os preços nas 10 principais cidades do país caíram 4,5% na comparação anual --maior queda desde julho de 1991, segundo o índice S&P/Case-Shiller, elaborado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's e pela MacroMarkets.
No segundo trimestre, os preços caíram 3,2%, também no índice S&P/Case-Shiller --maior queda desde o início da série, em 1987.
O mercado imobiliário americano vem registrando quedas de preços e aumentos de estoques desde o ano passado, quando o período de forte expansão, registrado entre 2001 e 2005 perdeu força.
A crise no setor se agravou com a situação no mercado de hipotecas de risco : o aumento na inadimplência fez com que os bancos restringissem mais o acesso ao crédito, o que gerou temores de que a economia americana pudesse entrar em recessão.
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