Dinheiro
02/10/2007 - 16h24

Bradesco diz que vai brigar pelo bancos estaduais Besc e BRB

YGOR SALLES
da Folha Online

O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, disse nesta terça-feira que irá brigar para participar da compra dos bancos estaduais --especialmente Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) e BRB (Banco de Brasília)-- e da folha de pagamento de funcionários de Estados e municípios.

O banco disse acreditar que a incorporação do Besc e a compra do BRB pelo Banco do Brasil é ilegal, já que a venda de bancos públicos deve passar por um processo de licitação. "Entendemos que há uma privatização [do BRB e do Besc] e deveria ser uma licitação", disse Cypriano. "Pretendemos participar de todos eles."

Quanto à quebra dos contratos de aquisição de folhas de pagamento dos funcionários de Santa Catarina e Maranhão, Cypriano informou que irá esperar o desenrolar destas brigas na Justiça.

Porém, o presidente do Bradesco não vê nestas aquisições a saída para crescer diante da ameaça da concorrência --especialmente a do Santander, prestes a comprar o Real. Para ele, o crescimento orgânico segue como prioridade. "Temos um poder de crescimento orgânico muito grande", lembrou Cypriano, citando o fato do número de clientes já ter crescido em 1 milhão só neste ano.

As futuras aquisições do banco dependem mais das oportunidades que aparecem, principalmente entre bancos médios, do que da procura em si. "O BMC, por exemplo, nos procurou para abrir capital. Nós analisamos e sugerimos a compra [pelo Bradesco]", disse ele, acrescentado que "está muito satisfeito" não só com este negócio como também com a compra da Amex (American Express) no Brasil.

Tarifas

Cypriano ainda defendeu o preço das tarifas bancárias praticadas pelo Bradesco. Segundo uma pesquisa feita pelo departamento econômico do banco, das 53 tarifas bancárias para pessoa física, 34 tiveram reajustes menores do que o IGP-M nos últimos cinco anos, duas ficaram iguais 17, acima.

Dos que superaram a inflação, destacam-se as cobradas por serviços relacionados a cheque e saque de dinheiro no caixa --numa tentativa do banco em estimular o uso de cartão.

 

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