Para Febraban, controle sobre tarifas pode inibir bancarização
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) teme que um possível controle sobre as tarifas bancárias possa inibir a expansão do crédito e o acesso aos serviços bancários, a chamada bancarização. O presidente da instituição, Fabio Barbosa, afirmou nesta quarta-feira que é preciso conhecer os riscos de uma operação de crédito antes da aplicação de qualquer medida.
"Precisa haver compreensão. Por que são cobrados determinados tipos de serviço? Que tipo de risco existe numa operação de crédito? Sem compreender isso, pode-se tomar uma medida que, ao invés de ajudar a expansão do crédito e a bancarização, pode prejudicá-las", afirmou Barbosa após encontro com o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Na semana passada, os dois já tiveram uma reunião sobre tarifas bancárias. O presidente da Febraban chegou a dizer não caberia a ninguém discutir a redução de tarifas. Hoje, afirmou que o objetivo das instituições financeiras é dar mais transparência a essas cobranças.
"O importante é que a gente seja capaz de dar transparência, que permita a comparabilidade e acima de tudo que se preserve aquele serviço que os bancos prestam." Ele lembrou que a concessão de crédito tem ajudado no crescimento do país e que os bancos atendem hoje 100 milhões de clientes.
Sobre a tarifa para pagamento antecipado de crédito, a TLA (Tarifa de Liquidação Antecipada), ele admitiu que pode ocorrer desequilíbrio e que é preciso estimular o alongamento dos prazos.
Após o encontro, Mantega afirmou que Barbosa não demonstrou na reunião preocupação com a bancarização e com a expansão do crédito. O assunto continua em debate.
"É melhor aprofundar a questão e fazer um estudo mais minucioso de modo que quando fizermos a proposta e a regulamentação seja bem amadurecida."
Para o ministro, uma proposta de regulamentação não irá afetar a oferta de crédito, já que não irá ocorrer tabelamento de tarifas. A maior preocupação de Mantega é sobre a TLA. Segundo ele, é importante reduzir o custo pago pelo consumidor.
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