Dinheiro
04/10/2007 - 09h12

Alimentação fora de casa fica mais cara

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FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
da Folha de S.Paulo

Comer fora de casa está mais caro. Bares e restaurantes de São Paulo subiram entre 4% e 5%, em média, os preços dos cardápios no final de setembro e início deste mês, após um ano sem fazer reajustes, segundo informa a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Mas há casos em que o aumento chega perto de 16%, segundo a Folha apurou.

"Não deu mais para segurar. A pressão de custos por causa da alta de preços de leite e derivados e de carnes foi forte. E o dissídio da categoria, que resultou numa alta de 4% nos salários dos trabalhadores, foi em agosto. Além disso, subiu o preço de água, luz e telefone", diz Joaquim Saraiva de Almeida, diretor da Abrasel. A associação informa que o peso dos alimentos nos custos dos restaurantes varia de 40% a 45% e, da folha de pagamento dos funcionários, de 20% a 30%.

No caso da rede de restaurantes America, o cardápio foi reajustado em 3%, em média, a partir desta semana, segundo informa a assessoria de imprensa da rede. Mas alguns pratos subiram mais, como é o caso do sanduíche Hot America -o preço subiu 10%, de R$ 16,90 para R$ 18,60.

No Livorno (da rua Cerro Corá, zona oeste de São Paulo), o preço do cardápio subiu 4%, em média, no início deste mês. Nos restaurantes Espírito Santo e Adega Santiago, em 4,5%, em média, em setembro.

Na Cantina Biaggio, os preços, que já subiram 10%, em média, em abril, após dois anos sem reajuste, podem ser reajustados novamente neste mês.

"A pressão de custos veio forte neste ano. Na entressafra, o preço do tomate chegou a subir 600%, e não 300%, como ocorre sempre. Os preços das carnes subiram 50%, dos laticínios, 100% e, da farinha de trigo, 40%, a partir de abril e maio. E também subiram os preços das tarifas controladas pelo governo", diz Jorge Caetano, administrador da cantina.

A rede Almanara aumentou em 2,7%, em média, os preços do cardápio em julho, após oito meses e meio sem mexer no menu. "O reajuste foi para repor a inflação", diz Douglas Coury, sócio-diretor da rede.

Nas churrascarias, os preços do rodízio subiram entre 6% e 8%, em média, segundo a Achuesp (Associação das Churrascarias do Estado de São Paulo), que reúne 94 restaurantes. "Esse reajuste, que vem ocorrendo desde junho e se acentuou em setembro, deve-se ao aumento de 38% a 40% nos preços das carnes, no período", diz Wanderley Mantovani, presidente da associação.

Acima da inflação

O Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getulio Vargas, constata desde maio deste ano alta nos preços da alimentação fora de casa. Nos últimos 12 meses terminados em setembro, os preços da alimentação nos restaurantes em São Paulo subiram 4,77%, em média. O índice geral (IPC-S) foi de 2,94% no período.

"O reajuste de preços nos bares e restaurantes está mais relacionado com as altas de preços dos alimentos, que ocorrem principalmente a partir de maio", afirma Paulo Picchetti, coordenador do IPC-S. Nos últimos 12 meses terminados em setembro, os preços dos alimentos comercializados em supermercados, padarias, açougues e outros subiram 5,19%, segundo informa o Ibre.

Luis Felipe Moraes, sócio-proprietário dos restaurantes Espírito Santo e Adega Santiago, informa que, tradicionalmente nesta época do ano, os restaurantes fazem uma revisão nos preços por conta da inflação em 12 meses e do dissídio dos trabalhadores no setor.

"Nós reajustamos os preços em 4,5%, em média, por causa da alta de preços das carnes, do leite e seus derivados, da batata e do tomate. Os reajustes poderiam até ter sido maiores, se o dólar [em relação ao real] não tivesse caído", diz Moraes.

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