Santander, RBS e Fortis obtêm 86% das ações do ABN
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
O consórcio de bancos formado pelo britânico RBS (Royal Bank of Scotland), o espanhol Santander e o belga-holandês Fortis anunciou nesta segunda-feira ter obtido 86% das ações que lhe permitem adquirir o banco holandês ABN Amro por 71 bilhões de euros (aproximadamente R$ 181 bilhões) --o maior negócio da história da indústria bancária no mundo.
"Até o momento foram concedidas 1.590.339.614 ações ordinárias ABN AMRO, que representam aproximadamente 86% das ações ordinárias do ABN Amro. A condição mínima de aceitação da oferta foi cumprida", afirma o comunicado do consórcio.
Os analistas haviam antecipado há várias semanas a vitória do consórcio na batalha pela compra do ABN Amro, que representa a maior transação realizada no setor bancário.
Na sexta-feira, o britânico Barclays retirou sua oferta de compra do holandês ABN, alegando que seus acionistas não mostraram interesse na aquisição.
A Comissão Européia (CE), o órgão executivo da União Européia (UE), já deu aval para os bancos do consórcio fecharem negócio com o ABN. Na última quarta-feira (3), o Fortis recebeu o sinal verde, o últimos dos três bancos do grupo que ainda não havia sido autorizado --o Santander e o RBS já havia sido autorizados no dia 19 do mês passado.
Além de ser o maior negócio do setor bancário na história, a provável venda do ABN Amro levará à criação do terceiro maior banco no Brasil, lugar hoje do Itaú.
A proposta dos três aliados --RBS, Fortis e Santander-- prevê a divisão do ABN Amro em três partes, entre as quais as operações do banco Real no Brasil, que ficarão com o Santander.
Hoje, Real e Santander estão na quinta e sétima colocação no ranking das instituições financeiras que operam no país. Após a fusão, os dois bancos juntos saltarão para o terceiro lugar, atrás do Banco do Brasil e do Bradesco, posição nunca antes alcançada por estrangeiros.
Diferentemente da maioria dos negócios de fusão e aquisição, onde as duas partes são interessadas na transação, os gestores do ABN são contra a venda para o consórcio. Isso porque o negócio representa o fim de sua presença mundial.
O ABN tem cerca de 4.500 agências e emprega 105 mil pessoas em 53 países. A divisão do banco deve levar à demissão de cerca de 19 mil bancários, sendo 13 mil na Holanda.
Com informações da France Presse, em Londres
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