Indústria supera vigor de 2004 e Fiesp eleva projeções
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Com 175 mil vagas criadas até setembro, a indústria de transformação de São Paulo já superou o desempenho de todo o ano de 2004 (144,5 mil), período exemplar de recordes na economia e no setor. Nesse ritmo, o saldo de empregos neste ano deverá chegar a 100 mil postos no final de dezembro, segundo projeção da Fiergs (Federação das Indústrias de São Paulo).
Quanto à evolução do emprego estimada para este ano (no acumulado em 12 meses) em comparação ao ano passado, o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, elevou a taxa de crescimento entre 4% e 4,5% --ante projeção anterior que tinha como teto 4%.
"Não enxergamos no horizonte ameaças para outubro, novembro e dezembro. As encomendas para o Natal estão em bons níveis", explicou. O cenário, segundo Francini, leva a melhorar a projeção do desempenho da indústria. "A indústria está muito próximo de 5% de crescimento neste ano e talvez já possa ultrapassar os 5%", disse Francini.
No que diz respeito à contratação de mão-de-obra, a estimativa de corte de 85 mil vagas no setor sucroalcooleiro nos próximos três meses, devido ao final da safra, deverá deixar o saldo do ano (100 mil vagas) abaixo do número acumulado até setembro (175 mil) e ao total registrado em 2004 (144,5 mil), Francini. Até setembro, o setor de cana de açúcar e o álcool criou 101,6 mil, de 58% do total.
A criação de 175 mil postos entre janeiro e setembro deste ano, com expansão de 8,41%, é o melhor desempenho verificado desde o início da série em 2000. Em 2004, ano do pico anterior, foram gerados 156 mil postos nos primeiros nove meses.
O resultado sem ajuste sazonal de setembro deste ano, de expansão de 0,75%, também é o maior para o mês desde 2003, quando a Fiesp iniciou esse tipo de apuração (em 2004, foi de 0,69%). Em ambas as análises, 2007 supera as marcas de 2004.
"O ano de 2004 foi quase eufórico. O PIB cresceu 5%, a indústria de transformação, 8% e a de São Paulo, alta de 12%. Em 2007, não atingimos a euforia de 2004. Mas o comportamento da indústria está muito satisfatório e se vê isso pelo nível de investimento e, especialmente, crescimento em máquinas e equipamentos", disse Francini.
A expansão em máquinas e equipamentos também foi argumento para Francini descartar riscos de pressão inflacionária. Segundo ele, a indústria toma iniciativas para ampliar a produção, o que revela, também, o grau de otimismo sobre o futuro.
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