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Dinheiro
10/10/2007 - 17h23

Até setembro, aquisições superam recorde de todo o ano de 2006

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da Folha Online

O número de fusões e aquisições no país cresceu 12% nos primeiros nove meses do ano e já superou o recorde registrado ao longo de todo o ano passado, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira pela consultoria KPMG. Segundo a empresa, o resultado indica que a crise do mercado de hipotecas de alto risco nos Estados Unidos não assustou o mundo corporativo.

Entre janeiro e setembro, 531 acordos entre empresas foram anunciados --ante 342 no mesmo período e 473 no acumulado de 12 meses em 2006.

"Esta evolução significativa na movimentação de fusões e aquisições se deu mesmo em meio à crise do setor de hipotecas no mercado americano", indicou o estudo da KPMG.

Só no terceiro trimestre (de julho a setembro) --período que abrigou o pico da crise de crédito dos EUA--, o mercado de fusões e aquisições atingiu o maior volume para o período da história, com 237 operações. Mas o ano já começou aquecido, segundo a KPMG, com 112 transações no primeiro trimestre e 182 nos três meses seguintes.

"Os problemas com as hipotecas imobiliárias de alto risco a partir de julho tiveram efeito mais significativo nos mercados de capitais e de crédito. Apesar das previsões negativas de alguns especialistas meses atrás, o impacto não foi sentido nas transações de fusões e aquisições relacionadas a empresas no Brasil ou que tenham operações aqui", explica Cláudio Ramos, sócio de Corporate Finance da KPMG.

"Vale lembrar que a agência de rating Moody's elevou o status do país mesmo após o início da crise, sinalizando que os fundamentos da economia brasileira têm sido avaliados positivamente pelo mercado", acrescenta Ramos.

As transações domésticas, realizadas entre empresas brasileiras, lideraram a expansão das fusões e aquisições, com um salto de 88% entre janeiro e setembro, com 258 operações, contra 137 no mesmo período de 2006.

"Muitas destas transações domésticas foram capitaneadas por empresas brasileiras que captaram recursos expressivos ao abrir seu capital em bolsa de valores", acrescenta o sócio da KPMG.

Segundo o estudo, o número de empresas brasileiras em processo de aquisição de estrangeiras nos primeiros nove meses do ano somou 70 acordos, contra 62 no mesmo período de 2006.

Já os negócios liderados por companhias estrangeiras somaram 203 nos primeiros nove meses deste ano, ante 143 no ano passado.

Setores

No acumulado do ano, o setor de maior movimento foi o de Alimentos, Bebidas e Fumo, com 51 transações, das quais 31 foram de estrangeiros. Neste setor, o destaque ficou por conta das transações de frigoríficos --16 acordos, sendo que dez de empresas anteriormente controladas por estrangeiros que foram adquiridas por dois grupos brasileiros que também abriram recentemente o capital na bolsa de valores.

Na seqüência, aparecem empatados os setores de Tecnologia da Informação e Imobiliário, com 39 transações cada, seguidos pelo setor de Shopping Centers, com 38 acordos. Nestes setores, as transações domésticas representaram a maior fatia e totalizaram respectivamente, 21, 30 e 35 acordos.

Para Ramos, os fundamentos favoráveis da economia brasileira vão contribuir para o crescimento das fusões e aquisições nos próximos anos, "sobretudo depois que o Brasil obtiver o grau de investimento".

"O novo recorde anual atingido com apenas nove meses vem a reboque das perspectivas favoráveis da economia brasileira, com destaque para o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], a redução das taxas de juros, o aumento do consumo, a expansão do crédito, a elevada atratividade do Brasil no cenário internacional e o forte desenvolvimento do mercado de capitais nos últimos três anos", disse.

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