Secretário dos EUA sinaliza que país não deve eliminar sobretaxa de álcool
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, sinalizou que seu país não pretende eliminar a sobretaxa cobrada sobre o álcool que é importado do Brasil. Segundo ele, o objetivo do governo norte-americano é desenvolver uma indústria em nível global.
Uma comissão do Congresso dos EUA aprovou a prorrogação por mais dois anos da sobretaxa de US$ 0,54 por galão de álcool que entra no país. A medida contraria os interesses dos produtos brasileiros.
O secretário não sinalizou que o Executivo será contra essa prorrogação. Segundo ele, o importante é trabalhar para desenvolver essa indústria e criar, junto com o Brasil, outras alternativas à produção do álcool feito do milho e da cana-de-açúcar.
Segundo ele, "um dia" o álcool vai representar "uma indústria em escala global, o que beneficiará muito o Brasil".
Exportações
O Brasil exporta hoje cerca de 3,5 bilhões de litros de álcool por ano, sendo que o país norte-americano recebe 2,5 bilhões de litros dessa produção. A produção total é de 18 bilhões de litros.
Hoje, ele esteve reunido com os ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Guido Mantega (Fazenda). Nenhum acordo foi assinado.
Sobre a Rodada Doha, Gutierrez afirmou que essa é uma oportunidade única de retirar milhões de pessoas da pobreza em todo o mundo, mas que é uma "discussão é dura é árdua".
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