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Dinheiro
16/10/2007 - 17h11

FMI alerta que os problemas nos mercados ainda não estão resolvidos

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da Efe, em Washington

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta terça-feira que os problemas no sistema financeiro internacional ainda não estão resolvidos, e que alguns mercados ainda não estão funcionando plenamente mesmo com a alta mundial nas bolsas de valores desde setembro.

"Embora a maioria das turbulências tenha passado, levará tempo até que tudo se ajuste, e é possível que haja alguns contratempos", disse Jaime Caruana, diretor do FMI para o Departamento Monetário e de Mercado de Capitais.

"Serão necessários semanas e meses, ao invés de dias, para recuperar a normalidade", acrescentou Caruana, ex-governador do Banco da Espanha.

A opinião do Fundo se junta aos comentários feitos na segunda-feira pelo presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, quando declarou que a recuperação plena do funcionamento dos mercados "terá o seu tempo", e alertou para possíveis "altos e baixos".

Para o FMI, os pontos mais frágeis do mundo financeiro são os mercados onde há menos informação a respeito do nível de risco dos títulos e do volume de perdas.

"O remédio de que o mercado precisa é a transparência", afirmou Caruana, segundo quem, para os bancos, é melhor informar sobre perdas do que "manter a incerteza sobre os esqueletos que possam estar escondidos em seus armários."

Essa falta de informação é o que aparentemente impõe obstáculos ao funcionamento do mercado de créditos interbancário --uma das peças-chave da liquidez mundial.

Nesse mercado, os bancos fazem empréstimos uns aos outros a curto prazo, como um mecanismo para administrar seus recursos e investir seus fundos onde o dinheiro é mais produtivo.

No entanto, as taxas de juros desses créditos são mais altas do que o normal, enquanto que o volume de transações é baixo, o que parece indicar que os bancos temem emprestar créditos a outra instituição financeira que poderia ocultar uma bolsa de títulos invendáveis.

"A pressão sobre o mercado interbancário provavelmente aumentará o custo e reduzirá a oferta de crédito, e pode trazer obstáculos para sua distribuição", disse Caruana, reconhecendo que esse mercado "não está completamente normalizado."

Situação semelhante acontece com a compra e venda de títulos hipotecários, que foi o detonador do afundamento das bolsas em agosto e setembro deste ano.

Estes títulos estavam apoiados em parte pelas chamadas hipotecas de alto risco ("subprime"), muito usadas nos Estados Unidos e que eram concedidas a pessoas com mau histórico de crédito ou com renda insuficiente, entre as quais a inadimplência disparou.

Para o FMI, a situação não vai melhorar, dado que o endurecimento atual das condições de empréstimos reduzirá o crédito e elevará as taxas hipotecárias para os prestatários com menos renda.

Bernanke disse que a crise imobiliária provavelmente reduzirá o crescimento dos EUA no último trimestre de 2007 e no começo de 2008.

Hoje, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, declarou que o "declive" dos bens imobiliários é "o mais significativo risco atual" para a economia.

As bolsas reagiram a estas declarações com quedas na segunda-feira e hoje. Mesmo assim, o índice Dow Jones Industrial subiu 5% no mês passado, apesar dos buracos negros no sistema financeiro.

Segundo Caruana, a alta se deve ao fato de os investidores acharem no momento que existem menos possibilidades de ocorrer uma recessão nos EUA e verem que os bancos centrais dos países desenvolvidos estão prontos para atuar com injeções de liquidez ou reduções nas taxas de juros, se for preciso.

As altas das bolsas nas nações desenvolvidas se tornam praticamente nulas em comparação com os lucros de entre 25% e 30% registrados nos mercados emergentes.

Segundo Caruana, no passado, as crises financeiras surgiram em países como Tailândia e Rússia, e se espalharam pelo resto do mundo, mas desta vez as boas políticas econômicas destes países os isolaram dos problemas.

"Na América Latina, em particular, não há nenhuma indicação de uma retirada das linhas de crédito por parte dos bancos estrangeiros", disse Peter Dattels, funcionário do FMI responsável por vigiar as bolsas de valores.

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