UE pede a China que amplie esforços para abrir mercados
da Folha Online
O governo da China deveria ampliar seus esforços para acelerar a abertuira de seus mercados e resolver as tensões com seus parceiros comerciais, disse nesta quinta-feira o porta-voz da Comissão de Comércio da União Européia (UE), Peter Power. Ele disse ainda que se não houver progresso na abertura, as vozes nos EUA e na UE a favor do protecionismo podem ganhar força.
Segundo Power, a China precisa fazer mais para convencer os europeus e outros parceiros comerciais de que seus mercados estão abertos para bens e serviços estrangeiros.
"De outra forma, vamos enfrentar pedidos dentro da Europa e em outros lugares para uma abordagem diferente, e essa seria claramente uma abordagem mais protecionista", disse o porta-voz. "Se não houver disposição e um compromisso com resultados por parte da China, tais pedidos [protecionistas] vão aumentar."
Em junho deste ano, o comissário européu para o Comércio, Peter Mandelson, disse acreditar que a China reconheceu que precisa resolver as tensões com outros países quanto aos déficits comerciais crescentes com outros países. Power, no entanto, disse que asações do governo chinês não têm sido suficientes.
"Claro que temos visto algum sucesso com os chineses em termos de políticas de áreas específicas, mas também é verdade que o processo tem sido frustrantemente lento", afirmou. "Vimos progresso em relação a proteção à propriedade intelectual, mas precisamos ver muito mais progresso nessa área. Temos de ver mais avanço em termos de abertura de mercados para os serviços europeus."
Segundo analistas, o yuan (moeda chinesa), mantido desvalorizado artificialmente pelo governo chinês, prejudica os produtos americanos e europeus. O dólar e o euro valorizados em relação ao yuan tornam os produtos americanos e europeus mais caros --e menos competitivos-- que os chineses.
Em junho deste ano, o Departamento do Tesouro dos EUA classificou a moeda chinesa de "subvalorizada" e fez novos apelos para que o governo chinês permita uma valorização maior em relação ao dólar. O departamento negou, no entanto, que a manutenção de um câmbio desvalorizado seja produto de manipulação artificial.
O Banco do Povo da China (banco central do país) estabeleceu uma margem de 0,5% na qual o yuan pode flutuar em relação ao dólar. O sistema de câmbio do país passou a ser flutuante, mas controlado, em que a referência passou a ser a cesta de moedas (formada por dólar, euro, iene e won), com base no comércio exterior.
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