Rato adverte para risco de uma "queda brutal" do dólar
da France Presse, em Washington
O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Rodrigo Rato, afirmou nesta segunda-feira que existe um risco de "queda brutal" do dólar, ligado a uma perda de confiança nos ativos atrelados à moeda americana.
"Até agora, as flutuações das taxas de câmbio se mantêm ordenadas e conformes aos parâmetros básicos", declarou ao conselho dos governadores do FMI.
"O risco de uma queda brutal do dólar existe, seja como conseqüência ou a causa de uma perda de confiança nos ativos atrelados à moeda americana", disse Rodrigo Rato.
O euro bateu novo recorde em relação ao dólar nesta segunda-feira, diante da passividade do G7 (Grupos dos sete países mais industrializados) sobre a questão das divisas e a persistente fragilidade da economia americana, o que vem incentivando os operadores a se desfazer da moeda americana.
Na abertura dos mercados de câmbio asiáticos nesta segunda-feira, a moeda única européia melhorou sua marca de sexta-feira, chegando a US$ 1,4347.
O FMI havia estimado semana passada que a moeda americana estava acima de seu valor real de acordo com os fundamentos da economia dos Estados Unidos. Já o euro, segundo o Fundo, estaria perto de seu patamar adequado.
Rodrigo Rato afirmou ainda que a Europa pode registrar forte valorização de sua moeda.
"Pode ser também que as expectativas de crescimento dos países que optaram por uma taxa de câmbio flexível e, inclusive na zona euro, variem de acordo com a apreciação de sua moeda", acrescentou.
Segundo ele, "nessas condições, as pressões protecionistas estão se intensificando".
Rato enumerou os riscos que pesam sobre o crescimento mundial, "que deve continuar, mas a um ritmo mais lento do que nos últimos dois anos".
"Não conhecemos ainda o verdadeiro impacto da flexibilização do mercado imobiliário nos Estados Unidos e dos problemas ligados aos créditos hipotecários de alto risco [subprime]", afirmou.
Existe também o risco de os bancos centrais enfraquecerem a luta contra a inflação, favorecida em alguns países pelo encarecimento do petróleo e dos produtos alimentares, segundo Rodrigo Rato.
"Os dirigentes políticos devem respeitar a independência dos bancos centrais e apoiá-los em sua vigilância da inflação", acrescentou.
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