Prazos maiores devem contribuir para reduzir juros, diz BC
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A parada no processo de redução da taxa básica (Selic) não impedirá que as taxas de juros cobrados dos consumidores continue a cair.
Segundo o chefe do Depec (Departamento Econômico) do Banco Central, Altamir Lopes, essa queda irá ocorrer porque os bancos têm espaço para reduzir os spreads --diferença entre o custo da captação das instituições financeiras e a taxa efetiva cobrada dos clientes-- devido ao alongamento dos prazos de pagamento.
"A taxa de captação tem um vínculo estreito com a taxa básica, mas outros movimento deverão estar vinculados aos spreads", explicou.
A taxa de juros é formada pela taxa de captação das instituições financeiras mais o spread. No mês passado, elas ficaram em 10,9% ao ano e 24,5 pontos percentuais, respectivamente. Um recuo de 0,1 ponto percentual nos dois casos. Já a taxa média (inclui operações para pessoas físicas e jurídicas) ficou em 35,5% ao ano, queda de 0,2 ponto percentual.
Com a manutenção da Selic em 11,25% ao ano na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a taxa de captação dos bancos deverá deixar de cair. Entretanto, Lopes acredita que com maiores prazos de pagamentos os bancos terão espaço para reduzir o spread, o que reduzirá a taxa final ao consumidor.
Nas operações destinadas para a pessoa física, o prazo médio em setembro era de 419 dias, contra 346 dias em setembro de 2006, sendo que ele é maior nas operações para aquisição de veículos (575 dias) e financiamentos imobiliários (1.780 dias). Para as empresas (pessoas jurídicas), o prazo é de 268 dias, contra 224 dias no mesmo mês do ano passado.
Apesar de Lopes acreditar na redução do spread, ele começou o mês em alta. Na prévia de outubro (primeiros oito dias úteis), a taxa média subiu para 35,7% ao ano e o spread, 0,1 ponto. Para ele, entretanto, esse movimento não indica uma tendência de alta.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Volume de crédito atinge R$ 854,1 bi, equivalente a 33% do PIB
- BC fez "parada técnica", mas vai retomar corte de juros, diz ministro
- Mercado deve sofrer ajustes com decisão do Copom
- BC quebra seqüência de cortes e mantém juros a 11,25% ao ano
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
Especial


