Falências pessoais crescem em setembro nos EUA com crise de hipotecas
da Folha Online
O número de falências pessoais nos EUA cresceu 23% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2006, afetado pelo aumento na inadimplência no segmento de hipotecas, segundo dados do American Bankruptcy Institute e divulgados nesta terça-feira pelo diário americano "The Wall Street Journal".
Segundo a pesquisa, o aumento em relação ao ano passado foi de cerca de 69 mil pessoas. Nos primeiros nove meses do ano, o aumento em relação ao mesmo período de 2006 foi de 44,76%.
O trabalho do American Bankruptcy Institute mostrou que as pessoas que declaram falência procuram o "Capítulo 7" da legislação americana que regulamenta as falências e concordatas --de acordo com esse capítulo da legislação, a pessoa têm de se desfazer de ativos (incluindo parte dos ativos imobiliários) para saldar suas dívidas. O procedimento segundo esse capítulo específico tem ainda uma vantagem adicional: o processo de execução da hipoteca é interrompido.
De acordo com o "WSJ", no entanto, a procura pelo "Capítulo 7" garante um alívio apenas temporário e os que procuram a proteção desse ponto da legislação acabam perdendo seus imóveis.
O jornal destaca que tem crescido a procura pela proteção do "Capítulo 13", que também interrompe a execução da hipoteca e dá ao devedor um prazo de três a cinco anos para renegociar sua dívida. Para se qualificar à proteção desse ponto da legislação, o devedor tem de ter uma fonte regular de renda e manter-se em dia com os novos pagamentos.
Quatro de cada 10 pessoas que declararam falência o fizeram pelo "Capítulo 13", contra três em cada dez em setembro do ano passado. O registro de que a pessoa procurou proteção sob esse capítulo da legislação permanece no histórico de crédito por 10 anos, o que dificulta a obtenção de alguns tipos de financiamentos.
A crise das hipotecas do segmento "subprime" (de maior risco) atingiu o mercado financeiro dos EUA e de outros países em agosto. Desde o início deste ano, a inadimplência nesse segmento do mercado vinha aumentando e em agosto o banco BNP Paribas suspendeu resgates em fundos que tinha aplicações em papeis baseados nessas hipotecas.
A partir de então, e até setembro, os mercados financeiros mundiais passaram por um momento de crise --as Bolsas nos EUA chegaram a cair mais de 3% em um único dia em agosto.
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) agiu através do corte da taxa de redesconto (usada pelo Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez causada por problemas internos ou externos), para 5,75%, e da taxa dos fundos federais (a principal da política monetária americana), para 4,75%, a fim de evitar uma crise de liquidez no sistema bancário e de que a crise financeira atingisse a economia real.
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