Emergentes não evitariam efeitos de recessão nos EUA, diz ex-FMI
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
O Brasil, além de outros mercados emergentes, apesar de menos atrelados aos EUA, não conseguirão deixar de sentir os efeitos de uma possível recessão da economia americana, disse nesta quarta-feira o professor da Universidade da Califórnia e ex-conselheiro do FMI (Fundo Monetário Internacional), Barry Eichengreen.
"Os analistas têm dito que o Brasil, a América Latina e os mercados emergentes como um todo têm se 'descolado' dos EUA. Eu tenho dúvidas de que isso seja verdadeiro", disse Eichengreen.
Ele destacou que o Brasil tem se beneficiado muito dos altos preços da energia e das commodities. "E os preços cairão se a economia dos EUA desacelerar e, com isso, a demanda por matérias-primas cair", avalia.
Assim, com o comércio enfraquecido e menos receitas advindas de exportações, o Brasil sentiria o impacto da recessão nos EUA, afirmou o ex-conselheiro do FMI. "Se isso acontecer, os mercados financeiros brasileiros terão de se ajustar a isso. A entrada de capitais no Brasil diminuirá", acrescenta.
O mesmo vale para a Ásia, disse Eichengreen. "Os analistas dizem que os países asiáticos fazem comércio uns com os outros, e assim não precisam exportar para os EUA. E isso está errado, porque o motivo de fazerem comércio uns com os outros é adquirirem peças e componentes de aparelhos que eles, no fim, vendem para os EUA".
Se a economia dos EUA desacelerar, é "inevitável" que os países emergente sintam o impacto, afirmou. "O quanto, não saberia dizer".
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