Despesa cresce em ritmo maior do que receita, diz Tesouro
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
As despesas públicas federais registram no ano um ritmo de crescimento acima das receitas. De janeiro a setembro, esses gastos acumulam uma expansão de 12,8%, contra 12% de tudo o que entrou nos cofres do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central).
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, defendeu que, apesar dessa diferença, a tendência é de alinhamento das duas rúbricas.
"A tendência desses números é que eles se alinhem positivamente. Não há um descolamento", explicou.
De janeiro a setembro, a receita total do Governo Central totalizou R$ 444,507 bilhões. A líquida das transferências a Estados e municípios foi de R$ 368,042 bilhões. No caso das despesas, elas totalizaram R$ 316,391 bilhões.
A diferença entre as receitas e as despesas resultou em um superávit primário de R$ 51,651 bilhões, o equivalente a 2,77% do PIB (Produto Interno Bruto), um crescimento nominal de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 48,168 bilhões).
Embora defenda a redução dos gastos de custeio, o secretário admitiu que parte dessa despesa é importante, como o pagamento dos salários das atividades fins (médicos, professores). "Eu não acho que qualquer gasto de custeio é negativo. Temos que fazer avaliação no sentido de maior eficiência."
Do conjunto das despesas, os benefícios previdenciários cresceram 11,2% no ano e os gastos com pessoal, 12,5%. Já os gastos com custeio (administração da máquina pública) e investimento tiveram juntos um incremento de 15,7%.
Investimento.
Sem justificar a queda nos gastos com o PPI (Programa Piloto de Investimentos) ocorrida no mês de setembro, o secretário afirmou que o importante é a tendência de crescimento desses gastos.
"Há um claro aumento dos investimentos. Haverá meses pouco maior e outros, pouco menor", explicou.
Em setembro, o governo gastou apenas R$ 336,3 milhões com o PPI, uma queda de 51,8% em relação ao mês anterior. As despesas em investimentos foram eleitas como prioridade pelo governo para garantir o crescimento da economia nos próximos anos.
O PPI é formado por obras de infra-estrutura consideradas prioritárias para garantir o crescimento da economia. Neste ano, estão previstos R$ 11,3 bilhões de investimentos nesse programa. No entanto, até setembro, foram gastos apenas R$ 2,6 bilhões.
Entre janeiro e setembro de 2006, esse gasto foi de R$ 1,7 bilhão para um PPI de menos de R$ 4 bilhões.
No PPI, o governo pode abater do superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) os investimentos feitos em obras de infra-estrutura consideradas prioritárias até o limite de 0,45% do PIB (Produto Interno Bruto), o que daria os R$ 11,3 bilhões. A meta de superávit é de 3,8% do PIB.
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