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Dinheiro
25/10/2007 - 09h20

BC teme aumento da inflação com aquecimento da economia

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O temor de que o aquecimento da economia gere um aumento dos preços ao consumidor foi o principal fator para a decisão do Banco Central de parar de reduzir os juros.

"O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelo impulso derivado do relaxamento da política monetária implementado neste ano, continua podendo colocar riscos não desprezíveis para a dinâmica inflacionária", justifica a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, divulgado nesta quinta-feira.

Na semana passada, o Copom decidiu manter em 11,25% ao ano a taxa básica de juros, colocando fim a uma seqüência de 18 cortes consecutivos.

Segundo a autoridade monetária, a demanda aquecida favorece o repasse dos preços do atacado para o consumidor.

Apesar do temor da transmissão de preços, o BC reconhece a contribuição do investimento e das importações para reduzir as pressões inflacionárias no presente. No entanto, lembra que há uma defasagem entre a decisão de cortar os juros e o seu efeito sobre a economia e a inflação. Por essa razão, avalia que parte "importante" dos cortes de juros ainda não surtiu efeito sobre a atividade econômica.

"Os efeitos defasados dos cortes de juros sobre uma demanda agregada que já cresce a taxas robustas se somarão a outros fatores que continuarão contribuindo de maneira importante para a sua expansão. Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de demanda aquecida e o fato de que as decisões de política monetária terão efeitos bastante limitados sobre 2007, e terão impacto predominantemente a partir de 2008."

Na avaliação dos membros do Copom, o crescimento da economia será sustentando nos próximos meses pelo crescimento do crédito e da massa salarial, acrescido dos efeitos dos programas de transferência de renda. A ata cita ainda "outros efeitos fiscais" esperados para este ano e para 2008.

De acordo com o documento, a atuação cautelosa do BC tem sido fundamental para que a inflação fique dentro da meta. Para este ano e para 2008, ela é de 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.

O BC ressalta ainda que é importante agir com prudência em um momento de maiores incertezas em relação à trajetória da inflação.

"A prudência passa a ter papel ainda mais importante, dentro desse processo, em momentos, como atualmente, nos quais a deterioração do balanço dos riscos inflacionários reduz a margem de segurança da política monetária."

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