BC alerta para aumento dos preços de energia e alimentos na economia mundial
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central demonstrou preocupação com o aumento dos preços de algumas commodities no mercado internacional e o efeito do movimento sobre os preços dos alimentos e da energia nas principais economia do mundo. Para a autoridade monetária brasileira, essa volatilidade é reflexo do aumento da incerteza em relação ao crescimento mundial.
"Estão emergindo sinais que podem apontar para a intensificação de riscos inflacionários em escala global, como indica o comportamento dos preços de certas matérias-primas", afirmou a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta quinta-feira.
O BC destaca, além dos preços das matérias-primas, o fato de os preços de petróleo continuarem em níveis elevados historicamente e o aumento dos preço de algumas commodities.
"A recuperação dos preços de commodities volta a alimentar as dúvidas quanto às pressões inflacionárias desencadeadas pelos preços da energia e dos alimentos. As recentes quedas nos índices de confiança dos consumidores já captam o sentimento desses efeitos sobre as intenções de consumo."
Para o BC, a tendência de alta das commodities acelerou os preços dos alimentos em vários países, o que tem dificultado o controle da inflação por parte de diversos bancos centrais.
Financiamento externo
Apesar desse cenário, a ata volta a afirmar que as perspectivas de financiamento externo para a economia brasileira são positivas e que o balanço de pagamento não deve apresentar riscos que pressionem a inflação interna.
O BC admitiu ainda que as importações continuam a contribuir para o controle da inflação no setor de bens transacionáveis. No entanto, ressaltou que o aquecimento da demanda interna, ou seja, o aumento do consumo, pode causar pressões inflacionárias sobre o setor de bens não transacionáveis, como serviços e aluguel.
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