Supermercadistas esperam vendas 11% maiores nas festas de final de ano
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O setor supermercadista espera vendas 11% maiores para as festas de final de ano na comparação com o mesmo período em 2006.
Segundo Sussumu Honda, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o ingresso do 13º salário, mais bônus e gratificações, associado às promoções realizadas pela indústria, vai puxar a expansão nesse período.
Para ele, a disseminação do parcelamento das compras nos supermercados e a ampliação do crédito no país, também devem turbinar as vendas para as festas de fim de ano.
"O consumidor tem o perfil de comprar mais no fim do ano. A diferença neste ano deve ficar por conta da modalidade de pagamento, com o financiamento para produtos sazonais, a exemplo do que ocorreu na Páscoa, quando se ofereceu parcelamento em até 10 vezes para ovos de Páscoa", disse Honda.
Ainda conforme Honda, de acordo com o porte da loja, o período do Natal representa alta nas vendas de 25% a 40% em dezembro sobre o mês anterior.
Dos empresários consultados pela Abras, 65% afirmaram ter ampliado os pedidos à indústria, 33% mantiveram o nível de encomendas do ano passado e apenas 2% diminuíram. A pesquisa ouviu 55 empresas, que representam 50% do faturamento do setor.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, os supermercadistas afirmaram ter aumentado suas encomendas de brinquedos em 15%, de panetones em 13%, de carne tipo "chester" em 10%, de bebidas natalinas nacionais em 12% e de cerveja e refrigerante em 14%.
Importados
Sobre a demanda por produtos importados, 46% dos entrevistados afirmaram que vão comprar 9% a mais de produtos. Segundo Honda, o real valorizado ajuda a melhorar a oferta de produtos natalinos e também descarta qualquer possibilidade de desabastecimento, com o aquecimento do consumo.
"O dólar barato, na casa de R$ 1,83, tem favorecido o comércios e os consumidores na busca de produtos importados, favorecendo a concorrência e a expectativa de fim de ano com preços mais acessíveis", apontou a pesquisa da Abras.
Segundo Honda, os produtos de fim de ano, mesmo os nacionais, não estão sendo reajustados pela indústria e pelo varejo com a mesma intensidade dos insumos. "As aves, por exemplo, estarão cerca de 10% mais caras. No caso dos panetones, a variação real do preço será entre 4% e 7,5%, enquanto o principal insumo, o trigo teve variação muito maior e os ovos, quase 80%", disse Honda.
Perfil do consumidor
Segundo a pesquisa da Abras, a maioria dos supermercadistas é cautelosa ao avaliar a postura e o comportamento dos consumidores. Para 65% dos entrevistados, os consumidores devem manter os gastos e ter uma postura "moderada". Para 16%, os consumidores devem gastar menos e 19% apostam em aumento dos gastos.
Ainda assim, 72% das empresas consultadas apostam em vendas 11% maiores do que as de 2006.
"Acredito no aumento do ticket médio de compra com a ampliação da renda e com a possibilidade de financiamento", acrescentou Honda, que também defendeu a manutenção de promoções e ofertas como ferramenta para atrair o consumidor às compras.
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