Economia para pagar juros é a menor para setembro desde 98
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A economia feita pelo setor público consolidado (União, Estados, municípios e estatais) para o pagamento de juros atingiu o mais baixo valor para meses de setembro desde 1998.
No mês passado, o superávit primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros) foi de R$ 3,554 bilhões, valor 22,3% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado.
Antes de 1998, o setor público não conseguia gastar menos do que a arrecadação e o resultado eram déficit primários, segundo dados da série do Banco Central iniciada em 1991.
No detalhamento das contas, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) foi o que deu a menor contribuição --apenas R$ 812 milhões.
O resultado foi menor que o registrado em meses anteriores porque foi feito no mês passado o pagamento antecipado da primeira parcela do décimo terceiro dos beneficiários da Previdência.
Em setembro do ano passado --quando já ocorreu uma antecipação-- o superávit foi de R$ 65 milhões. Segundo Altamir Lopes, chefe do Depec (Departamento Econômico) do BC, a tendência é que esses baixos superávits se repitam, já que o governo passou a adotar essa antecipação.
A economia dos governos regionais foi de R$ 1,389 bilhão no mês passado e a das estatais, em R$ 1,353 bilhão.
Apesar do pior superávit para o mês, Lopes acredita que a meta de superávit de R$ 95,89 bilhões para o setor público consolidado será cumprida. Ela é equivalente a 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) do ano.
Nos 12 meses encerrados em setembro, o superávit primário está em 4,05% (R$ 100,841 bilhões), contra 4,12% em agosto.
A expectativa do BC é que até dezembro essa economia fique abaixo do patamar de hoje, mas dentro da meta. Isso irá acontecer mesmo com o maior volume de despesas do final do ano --segunda parcela do 13º dos aposentados e servidores públicos, férias e investimentos.
"No final do ano você acelera os investimentos. Isso sempre se dá", afirmou Lopes.
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