Dinheiro
30/10/2007 - 20h16

Rodrigo de Rato deixa o FMI após um mandato irregular

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da Efe, em Washington

Rodrigo de Rato deixará nesta quarta-feira a chefia do FMI (Fundo Monetário Internacional) após três anos e meio como diretor-gerente, durante um mandato no qual alcançou resultados irregulares, segundo os especialistas.

Sua maior conquista, de acordo com apoiadores e opositores, foi propor uma redistribuição do voto dentro do organismo para dar mais peso aos mercados emergentes.

No entanto, Rato vai embora no momento em que essa reforma se encontra parada e sem ter pressionado suficientemente os países sobre-representados a renunciarem a parte de seu poder.

Rato, ex-ministro da Economia espanhol, assumiu a direção do Fundo em um momento difícil, quando seus maiores clientes --especialmente na América Latina-- cortaram um por um seus vínculos de dependência com o organismo.

Países como Brasil, Argentina e Indonésia pagaram suas dívidas com o FMI antecipadamente, o que criou um problema fiscal e de identidade para a instituição, nascida em 1944.

Rato se deu conta disso e se empenhou em tocar a maior reforma do órgão desde sua fundação.

"Acho que montou a estratégia correta de reforma, com os componentes corretos, e penso que deveriam agradecê-lo por seus esforços em tentar levá-la até o fim", disse Timothy Adams, subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos até o início deste ano.

A peça principal dessa proposta é a redistribuição do poder para que a instituição se adapte a um mundo muito diferente daquele que existia em fins da Segunda Guerra Mundial.

Hoje, o Conselho Executivo do FMI agradeceu Rato por seu empenho "vibrante" para conseguir um acordo "histórico" sobre o voto, que fortalecesse a cooperação econômica internacional.

O sinal mais notável desse esforço foi o leve aumento do poder ganho por China, Coréia do Sul, Turquia e México há um ano.

No entanto, as negociações para criar uma nova fórmula para a repartição do peso das nações estão interrompidas e parte da culpa disso é de Rato, segundo alguns analistas.

"[Rato] deveria ter pressionado mais" os países sobre-representados, especialmente os europeus, disse Edwin Truman, que dirigiu o departamento de Finanças Internacionais do Fed (Federal Reserve, banco central americano) durante 20 anos. "Ele não esteve disposto a se arriscar mais", acrescentou.

A última proposta sobre o assunto prevê uma transferência de apenas 2% dos votos dos países ricos às nações em desenvolvimento.

O G-24, grupo de países em desenvolvimento do qual o Brasil faz parte, considerou a medida como uma mera mudança "estética".

Alguns especialistas e inclusive certos Governos também acusam de Rato ter se descuidado durante seu mandato no FMI, deixando de estar atento aos perigos que ameaçavam a economia mundial.

"Sob sua liderança, o Fundo perdeu relevância no mundo", afirmou Desmond Lachman, um ex-alto funcionário da entidade.

"[Rato] nem sequer viu o risco que entranhava o setor imobiliário (nos EUA) e, menos ainda, a redução do crédito em nível mundial", disse Lachman.

Brasil e Argentina deixaram explícitas suas insatisfações com esta atitude durante a última Assembléia Anual do FMI e do Banco Mundial, há uma semana.

"O Fundo deveria ter ao menos o mesmo zelo em avaliar as vulnerabilidades das economias avançadas quando for fazê-lo com os mercados emergentes", disse então o ministro da Economia da Argentina, Gustavo Peirano.

Outro assunto pelo qual Rato recebeu críticas, especialmente nos EUA, foi a suposta passividade do Fundo diante dos desequilíbrios mundiais no balanço de pagamentos.

Esses desajustes se manifestam, principalmente, em um déficit por conta corrente nos EUA que este ano chegará a 5,7% do PIB (Produto Interno Bruto) do país e um superávit na China de quase 10%.

Parte da solução do problema, especialmente segundo Washington, passa por uma desvalorização do yuan frente ao dólar, o que baratearia as exportações americanas.

Para Morris Goldstein, ex-subdiretor do departamento de análise do FMI, o assunto taxas de câmbio "foi o grande erro" de Rato.

"O Fundo deveria ter dito aos chineses desde 2004 que o yuan estava supervalorizado e ter pressionado-os", afirmou Goldstein.

"Foi exatamente para solucionar este tipo de problema que o FMI foi criado", acrescentou.

A partir de quinta-feira, tudo isso estará nas mãos do francês Dominique Strauss-Kahn, o novo diretor-gerente da instituição.

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