Dinheiro
31/10/2007 - 10h10

Energia à indústria deve subir até 34,5%

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da Folha de S.Paulo, em Brasília

A tarifa de energia elétrica cobrada dos consumidores industriais deverá aumentar 34,5% até 2015, de acordo com estudo feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) a pedido da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres). No mesmo período, o aumento médio da tarifa, considerando outros grupos de consumidores, será de 20,3%.

Segundo o estudo, o aumento reduzirá a competitividade de produtos brasileiros no exterior, reduzirá o ritmo de desenvolvimento econômico e aumentará o preço de mercadorias e serviços.

Pelos cálculos da fundação, o preço cobrado dos consumidores finais para fornecimento de energia, água e saneamento básico aumentará 58,8% até 2015. Peças para veículos aumentarão 51,6%, o leite aumentará 51,2% e carnes de aves frescas ou congeladas, 49,5%.

Ainda de acordo com as projeções da FGV, o aumento do custo da energia para a indústria terá impacto no crescimento econômico, medido pelo PIB. A fundação estima que a alta de custo provocado pelo aumento de energia terá um impacto negativo no PIB de 0,65 ponto percentual entre 2006 e 2010 e de 0,82 ponto entre 2011 e 2015.

O estudo foi apresentado em um seminário no qual os representantes dos grandes consumidores reclamaram tarifas mais baixas e benefícios fiscais, como redução de tributos e encargos que incidem sobre o custo da energia ou sobre os investimentos para construção de novas usinas.

O perigo de crise na oferta de energia nos próximos anos é uma das maiores preocupações dos empresários brasileiros, ameaçando investimentos.

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética, estatal que planeja o setor), Maurício Tolmasquim, reconheceu que a energia para a indústria vem aumentando, mas ressaltou que a tarifa cobrada anteriormente era muito baixa, porque havia um subsídio cruzado no setor.

"O preço cobrado dos grandes consumidores vem aumentando, isso é inquestionável, mas a base era muito baixa. Está se fazendo um reposicionamento da tarifa", disse. "A indústria já foi altamente subsidiada. Tinha subsídio cruzado entre consumidor residencial e indústria", afirmou.

Desde 2003, o governo federal começou a aplicar um processo de realinhamento tarifário nos reajustes anuais, cujo objetivo é acabar com o subsídio cruzado, que encarecia a tarifa cobrada dos consumidores residenciais para que as indústrias pudessem ter tarifas menores.

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