Federal Reserve corta sua taxa de juros para 4,5%
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) manteve a orientação do mês passado e reduziu sua taxa de juros em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano.
O banco mais uma vez agiu para evitar que a crise imobiliária em curso no país --agravada a partir de agosto pela crise no mercado de hipotecas de risco-- ultrapasse o limite do setor financeiro e atinja a economia como um todo.
| Arte Folha Online/Fed | ||
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| Fonte: Federal Reserve |
Se os efeitos chegaram à economia real, no terceiro trimestre, ao menos, isso não ficou tão evidente: o Departamento do Comércio informou hoje --em caráter preliminar-- que o PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu 3,9% entre julho e setembro (dado anualizado), acima dos 3,8% registrados entre abril e junho.
Além disso, os gastos dos consumidores contribuíram com 2,11 pontos percentuais paro resultado do PIB, contra uma contribuição de 1 ponto percentual no segundo trimestre. O crescimento dos gastos com bens duráveis (com durabilidade prevista de ao menos três anos) foi de 4,4%, contra 1,7% no trimestre anterior; já os gastos com bens não-duráveis (como alimentos e vestuário) cresceram 2,7%.
Mesmo assim, os movimentos nos índices de inflação, se não chamaram a atenção do Fed nesta reunião, podem voltar a assumir o centro das atenções na reunião programada para 11 de dezembro (a última do ano). O departamento informou hoje que o núcleo do índice de inflação atrelado à leitura do PIB subiu 1,8% entre julho e setembro, contra alta de 1,4% no trimestre imediatamente anterior. O banco considera adequado uma taxa de 2%.
No mês passado, os preços ao consumidor tiveram a maior alta desde maio, subindo 0,3% --superou as previsões, que eram de alta de 0,2% (o núcleo da inflação, no entanto, subiu 0,2%, em linha com o esperado por economistas e investidores). Os preços da energia devem ganhar força: com a proximidade do inverno no hemisfério Norte, o consumo de combustível para calefação cresce de modo significativo, o que pode sinalizar maior pressão sobre os estoques de petróleo do país --os preços do produto subiram 0,9% em setembro.
Ainda que a inflação possa vir a se tornar um obstáculo a mais cortes de juros do Fed, os indicadores econômicos americanos mostram que o desempenho da economia vem desacelerando: a confiança do consumidor, por exemplo, registrou queda neste mês, ficando em 95,6 pontos --nível mais baixo desde outubro de 2005.
Segundo a diretora de pesquisa do Conference Board (instituto que apura o índice), Lynn Franco, os consumidores estão ficando mais pessimistas quanto ao cenário de curto prazo "e isso sugere um fim de ano menos eufórico". O indicador referente à confiança nas condições atuais caiu para 118.8 pontos neste mês (contra 121,2 um mês antes) e o indicador de expectativas para os próximos seis meses caiu para 80,1 pontos (contra 85 de setembro).
O mercado imobiliário americano mostrou recuperação em setembro --com uma alta de 4,8% nas vendas de casas novas, chegando à taxa anualizada de 770 mil unidades--, mas o aumento só ocorreu depois que o resultado de agosto foi revisto para baixo --estimado inicialmente em uma taxa anualizada de 795 mil unidades, o dado foi revisto para 735 mil unidades, menor ritmo de vendas em 11 anos. Na comparação com setembro de 2006, as vendas caíram 23,3% no mês passado.
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