Crise imobiliária deve desacelerar expansão no curto prazo, diz Fed
da Folha Online
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) cortou nesta quarta-feira sua taxa de juros em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano. Na nota divulgada após o anúncio da decisão, o banco informa que o crescimento econômico deve perder força no curto prazo devido ao ajuste em curso no mercado imobiliário do país.
O Departamento do Comércio informou que a economia americana cresceu 3,9% (dado anualizado), segundo estimativa divulgada hoje. O dado é o maior desde o primeiro trimestre do ano passado (quando a expansão foi de 4,8%). O Fed destacou o bom desempenho da economia no período.
"O crescimento econômico foi sólido no terceiro trimestre, e as tensões nos mercados financeiros diminuíram um pouco, para um equilíbrio", diz a nota do Fed.
O documento, no entanto, destaca as pressões inflacionárias exercidas pelos preços do petróleo e das commodities. "Os aumentos recentes dos preços da energia e das commodities, entre outros fatores, devem exercer pressão renovada sobre a inflação", diz a nota. O petróleo bateu novo recorde hoje, chegando a US$ 94.
Veja a seguir a íntegra da nota do Fed.
"O Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu nesta terça-feira reduzir sua taxa de fundos federais em 0,25 ponto percentual para 4,25%.
O crescimento econômico foi sólido no terceiro trimestre, e as tensões nos mercados financeiros diminuíram um pouco, para um equilíbrio. No entanto, o ritmo da expansão econômica provavelmente irá desacelerar no curto prazo, em parte como reflexo da intensificação na correção no setor imobiliário. A ação de hoje, combinada à que foi adotada em setembro, deve ajudar a evitar alguns dos efeitos adversos sobre a economia como um todo que poderiam surgir de problemas no mercados financeiros e a promover crescimento moderado ao longo do tempo.
As leituras do núcleo da inflação melhoraram de forma modesta neste ano, mas os aumentos recentes dos preços da energia e das commodities, entre outros fatores, devem exercer pressão renovada sobre a inflação. Nesse contexto, o comitê considera que alguns riscos de inflação permanecem, e deve continuar a monitorar os desenvolvimentos da inflação com cuidado.
O comitê julga que, após sua ação, os riscos de alta de preços se equilibram de modo aproximado com os riscos de baixa no crescimento. O comitê vai continuar a avaliar os efeitos dos desenvolvimentos financeiro, entre outros, sobre as perspectivas econômicas e vai agir conforme for necessário para estimular a estabilidade de preços e o crescimento econômico sustentável."
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Federal Reserve corta sua taxa de juros para 4,5%
- Consumo e exportações sobem e PIB dos EUA cresce 3,9% no 3º trimestre
- Confiança do consumidor nos EUA atinge nível mais baixo em 2 anos
- Vendas de casas novas nos EUA sobem 4,8% em setembro
- Folha Explica o dólar e sua importância no mundo globalizado
Especial

