Petrobras vai recorrer para racionar gás no Rio; preço pode subir
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A Petrobras informou que vai recorrer da liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro que obriga a estatal a fornecer gás para as distribuidores CEG (Companhia Estadual de Gás, que atua no Rio de Janeiro) e CEG-Rio (que atua no interior do Estado fluminense) acima do previsto no contrato.
A empresa foi notificada na manhã desta quarta-feira da decisão judicial que determinou a retomada do abastecimento de gás, suspenso parcialmente ontem pela estatal.
A diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster, sinalizou que os preços do gás natural vão subir, a exemplo do que afirmou o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em Londres.
Segundo ela, o preço do gás está defasado. Foster explicou que, de 2003 até setembro de 2005, o preço do gás ficou congelado, enquanto que os preços do petróleo subiam, criando a diferença entre gás e outros derivados de petróleo.
"O gás natural passou por um momento de manutenção de preços. Isso trouxe uma vantagem do gás em relação ao óleo combustível muito grande. O petróleo saiu de US$ 25 o barril, indo a US$ 90, e o óleo combustível acompanhando. O gás nacional foi ficando para trás. Essa defasagem vem sendo retirada gradativamente. Temos uma política de aumento de preços de gás", afirmou.
Segundo a executiva, o gás não pode ficar descolado das variações dos preços do petróleo e das demais variações dos outros combustíveis, porque senão se cria uma artificialidade.
"Quem acaba pagando a conta é o consumidor, quando ele não é atendido por alguma razão", observou.
Graça procurou isentar a Petrobras de responsabilidade pela política de incentivo ao uso do GNV (gás natural veicular). O Brasil já possui a segunda maior frota do mundo, atrás apenas da Argentina.
"A Petrobras vende gás natural. A Petrobras não vende GNV, a Petrobras não vende gás natural industrial. A Petrobras vende gás. A opção que a CEG fez é a opção da CEG", declarou, referindo-se à política de preços para o combustível adotada pela distribuidora fluminense.
"Não há nenhuma ação da Petrobras porque não é a Petrobras que vende GNV. Quem vende GNV é a distribuidora de gás", completou.
A diretora disse ainda que o preço do GNV nas bombas não é real. Ela disse ainda que uma possível decisão da CEG em reduzir o consumo de GNV seria muito trabalhosa.
"Não se tem uma chave que corta GNV do Rio de Janeiro. Você tem que cortar posto a posto. Do ponto de vista de logística, é uma operação muito prolongada, mas foi a opção que a CEG fez por razões que só a CEG conhece", completou.
De acordo com Foster, o volume de gás que a Petrobras deixou de mandar para as térmicas hoje é suficiente para gerar 280 MW (megawatts).
A diretora descartou a possibilidade de outros Estados entrarem no racionamento.
Hubner
Em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Nélson Hubner, disse que a culpa pelos problemas com abastecimento de gás é das distribuidoras. Segundo ele, elas venderam mais gás do que tinham contratado da Petrobras.
"Isso não é um problema estrutural e não há risco de faltar energia [elétrica], tanto que as termelétricas [movidas a gás] estão funcionando", afirmou.
Ontem, a Petrobras diminuiu em 17% o fornecimento de gás natural para São Paulo e Rio de Janeiro para assegurar a geração de energia elétrica para as termelétricas a gás natural do país. Com a decisão, postos de gasolina e oito grandes indústrias do Rio de Janeiro, entre elas a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a Bayer, tiveram o fornecimento de gás natural comprometido.
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