China proíbe mais de 700 fábricas de exportar brinquedos
da France Presse, em Pequim
A China proibiu mais de 700 fábricas de exportar brinquedos, numa aparente tentativa de melhorar a imagem de segurança de seus produtos, informou nesta quinta-feira a imprensa estatal.
Além disso, centenas de fábricas da província meridional de Guangdong --o centro industrial do brinquedo chinês-- receberam ordem de renovar suas instalações ou melhorar a qualidade de seus produtos depois de eles terem sido retirados do mercado em vários países do mundo por apresentarem risco aos consumidores, afirmou o jornal "China Daily".
Entre 1.726 fábricas inspecionadas --das quais 85% possuem licenças de exportação em Guangdong-- 1.454 apresentaram algum tipo de irregularidade, segundo o organismo local encarregado da supervisão.
Este organismo disponibilizou 200 mil funcionários para inspecionar todos os produtos, tanto os destinados ao exterior quanto ao mercado interno, incluindo remédios, alimentos e brinquedos.
"A campanha terminou com o fechamento de um grande número de fabricantes e vendedores não qualificados. Mas o trabalho de investigação é uma tarefa a longo prazo", disse à imprensa o diretor do órgão administrativo, Lai Tiansheng.
Por "problemas de naturezas diversas", 764 fabricantes de brinquedos não poderão mais exportar e 690 receberam ordem de renovar ou melhorar a qualidade de seus produtos.
De qualquer forma, Lai insistiu que somente 1% de todos os fabricantes de Guangdong que exportam seus brinquedos não se ajustavam às regras de segurança, um dado que os dirigentes chineses repetem desde que a reputação do selo "Made in China" começou a sofrer este ano.
"Mais de 99% dos produtos de Guangdong destinados à exportação estão qualificados", disse Lai.
As inspeções de Guangdong fazem parte de uma operação em escala nacional que até agora tem 774 detidos.
A China é o principal exportador mundial de brinquedos, com 22 bilhões de unidades ano passado, o que representa 60% da produção mundial.
Segundo dados recentes, Guangdong exportou brinquedos no valor de US$ 11,9 bilhões em 2005.
Inúmeros produtos chineses, desde frutos do mar a pneus, foram retirados de alguns mercados nos últimos meses por questões de segurança.
Em um dos casos mais alarmantes, a gigante americana Mattel retirou 18 milhões de brinquedos em agosto passado, incluindo bonecas Barbie e figurinhas do Batman, porque conteriam quantidades de tintas tóxicas acima do permitido e peças perigosas para crianças.
A Mattel acabou se desculpando, explicando que os problemas com os brinquedos se deviam mais a seu design do que a problemas com os fabricantes.
Os problemas dos brinquedos feitos na China não param por aí. Quarta-feira, as autoridades retiraram 440 mil brinquedos do mercado por excesso de chumbo, entre eles dentaduras de plástico usadas como parte das fantasias do Halloween.
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