À frente do FMI, Strauss-Kahn promete dar mais voz a emergentes
da Folha Online
O novo diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), o francês Dominique Strauss-Kahn disse nesta sexta-feira que a instituição deverá passar por uma reforma, aumentando a representação de países em desenvolvimento.
Strauss-Kahn disse também que o FMI, criado há 63 anos para promover a estabilidade dos países-membros, tem de se adaptar às mudanças do mundo financeiro, com a entrada de novos atores, como os fundos de investimento de maior risco (os "hedge funds").
"Eu defendi a reforma durante os últimos três meses como candidato. Agora, tenho de entregar", afirmou Strauss-Kahn nesta sexta-feira, um dia após tomar posse no Fundo, em sua primeira entrevista coletiva à imprensa.
Strauss-Kahn se comprometeu a dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, o espanhol Rodrigo de Rato. Isso inclui dar maior representatividade a países como o Brasil, Índia e China, que passariam a ter maior peso nas decisões do FMI,e encontrar formas de conter gastos para o fundo não operar no vermelho.
O diretor também afirmou que o fundo vai manter uma estreita relação com os Estados Unidos, seu maior parceiro. Ele disse que deve se encontrar com o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, e com o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Ben Bernanke.
Em referência aos fundos de investimento, que controlam entre US$ 1 trilhão e US$ 3 trilhões, Strauss-Kahb disse que o mercado financeiro tem evoluído e que o trabalho dos fundos têm de mudar também".
Ele disse que o FMI poderia estabelecer códigos de conduta ou diretrizes para ajudar os fundos a serem mais transparentes com o mercado.
Strauss-Kahn também se disse descontente com aqueles que dizem que o FMI poderia deixar de ajudar os países mais pobres e deixar esse papel para sua instituição irmã, o Banco Mundial. Ele disse que esses países sofreram quando seus governantes adotaram políticas fiscais prejudiciais e o fundo poderia aconselhá-los como administrar melhor suas economias.
Recessão nos EUA
O novo diretor-gerente do FMI afirmou ainda que o organismo acredita que os Estados Unidos não cairá em recessão, ainda que a fragilidade do mercado imobiliário se mantenha. As dúvidas sobre as possíveis perdas no setor bancário pela crise de crédito de alto risco (subprime) seguem afetando os mercados.
Ainda assim, o FMI manteve seus prognósticos para a economia norte-americana. "Não vemos razões que apontem para recessão nos Estados Unidos, ainda que sempre seja possível e não podemos descartar. Mas nossa previsão não indica recessão na economia dos EUA ou de qualquer outro país", disse.
Dívida argentina
Questionado sobre a dívida de US$ 7 bilhões da Argentina com o Clube de Paris, Strauss-Kahn afirmou querer que a Argentina resolva o quanto antes a questão.
"Acredito que todo o mundo ficará muito contente se a Argentina puder resolver o mais rapidamente possível a questão com o Clube de Paris", disse.
Segundo ele, cabe ao próprio Clube de Paris decidir se a questão da dívida deve ser resolvida mediante um novo programa entre o FMI e a Argentina. A Argentina cancelou a dívida com o FMI no valor de US$ 9,5 bilhões em janeiro de 2006.
Com Associated Press e Efe
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