Dinheiro
05/11/2007 - 18h00

2007 é o ano da inflação da alimentação, diz Fipe

Publicidade

DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

Os alimentos devem ser a "assinatura da inflação" em 2007. No ano, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) aponta alta de 8,60% no grupo alimentação --acima da taxa geral do índice, de 3,05% de janeiro a outubro, e disparada a maior elevação entre os sete grupos observados.

"Esse será o ano da inflação de alimentos. 2007 foi um ano de ajustes, já que os preços vinham baixos há muito tempo", disse o coordenador do IPC da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Márcio Nakane.

No acumulado no ano, a elevação de 8,60% é bastante superior à de saúde, que anotou alta 4,75%. Na seqüência vêm educação, com elevação de preços de 4,08% no ano, despesas pessoais, com 3,18%, transportes, com 1,82%, e habitação, com 0,25%. O IPC geral, no ano, acumula alta de 3,05%.

Entre janeiro e outubro, o grupo alimentação registrou a maior variação mensal entre os diferentes grupos analisados, com alta de 1,90% em junho. Em 2006, a maior variação dos preços dos alimentos chegou a 1,22%, tendo registrado seis deflações ao longo do ano (a mais forte, em junho, queda de 1,36%). Neste ano, os preços caíram uma única vez, em abril (0,13%).

Segundo Nakane, a elevação dos preços dos alimentos se iniciou no segundo semestre do ano passado e ganhou especial reforço com o reajuste de preços de carnes bovinas e do leite, o grande vilão da inflação neste ano.

A variação do preço do leite longa vida registrada em junho, de 15,65%, por exemplo, foi a maior desde julho de 2000, segundo Nakane.

No acumulado do ano, os produtos semi-elaborados (leite, carne bovina, arroz e feijão) apresentaram alta de preços de 11,17% --o único subgrupo, entre os 29 que compõem os sete grupos do IPC, com dois dígitos. Os demais subgrupos de alimentação também apresentam alta: industrializados, de 6,54%, "in natura", de 9,81%, e alimentação fora do domicílio, de 7,29%.

A previsão, segundo informou a Fipe nesta segunda-feira, é que o IPC geral chegue ao final do ano em 3,6% --contra previsão anterior que apontava inflação de 4,1% no ano.

A redução da estimativa já reflete, em parte, a desaceleração dos preços dos alimentos, segundo Nakane. Em outubro, o grupo contribuiu fortemente para a desaceleração do IPC, que fechou em alta de 0,08%, ante previsão de 0,34% para o mês e 0,24% em setembro.

Desde o final de agosto, os alimentos já apontam desaceleração nos levantamentos prévios (semanais) feitos pela Fipe. "O grupo alimentação já vem desacelerando há nove registros, desde a terceira quadrissemana de agosto.

Desaceleração

Em outubro, a alta nos preços em alimentação foi 0,24%, ante 0,68% em setembro. Segundo Nakane, o índice registrado em outubro é o menor desde a segunda prévia do mês de maio --quando o grupo alimentação assumiu a liderança da maior variação de preço entre os grupos, perdida só no mês passado para o item saúde (com alta de 0,46% em outubro).

O leite longa vida foi determinante para a desaceleração de alimentação, conforme Nakane. "O leite longa vida abriu o ano a R$ 1,5, em abril começou uma escalada. O pico ocorreu no final de junho, a R$ 2,35, e então começou a cair. Hoje, o preço médio é de R$ 1,8."

A queda de 14,44% deste mês, por outro lado, foi a maior desde que o item passou a integrar a série (em 1994).

"A subida dos preços dos alimentos foi rara e o processo de queda também não foi comum", disse Nakane. "Hoje, os produtos de alimentação, que ajudaram a puxar a inflação, estão fazendo o oposto. Os derivados de leite começam agora a devolver a alta dos preços", disse Nakane.

Leite adulterado

Entre os fatores que impactaram os preços dos alimentos, estão os efeitos da safra e da entressafra e do clima (estiagem) sobre os produtos "in natura" e da demanda e dos preços no mercado internacional sobre o leite e derivados.

Quanto ao reflexo da descoberta de leite adulterado em Minas Gerais no preço do leite, Nakane informou que é difícil estabelecer uma relação de causa e efeito --e quando e se ela virá.

"De um lado, há a queda de consumo. De outro, há os supermercados recolhendo o estoque do produto em uma medida preventiva, mesmo antes de averiguação do caso. Tudo isso ajuda a segurar o preço, que já vinha em desaceleração. Não se sabe identificar a origem. O preço ainda vai cair um pouco, mas a interpretação disso vai ser difícil", explica o economista.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca