Em crise, BRA pediu readequação de vôos e aporte financeiro
da Folha Online
Os indícios de crise na BRA, empresa aérea fundada em 1999 e que nesta terça-feira pediu a suspensão de seus vôos e afastou 1.100 funcionários, são recentes.
O primeiro problema veio à tona quando o acordo de compartilhamento de assentos com a OceanAir, que começou a valer em 18 de junho, foi cancelado três meses depois.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) decidiu, no dia 18 de outubro, suspender as vendas de passagens internacionais da BRA. A decisão foi provocada pelos problemas registrados com seus Boeings 767, que faziam rotas para o exterior. Um grupo de 35 passageiros esperou para embarcar para a Europa quase 67 horas devido a um problema em uma dessas aeronaves.
No mesmo dia, o então presidente da companhia, Humberto Folegatti, enviou um ofício à Anac reconhecendo os problemas operacionais da empresa, e os justificou com serviços de manutenção não-programados. A BRA alegou ainda o atraso no recebimento de duas novas aeronaves. A Anac instaurou auditoria nas áreas de manutenção.
Por meio de nota oficial, a BRA pediu então permissão para readequar a malha de vôos à sua nova frota de aviões, reduzida de 10 em operação para 5 (mais uma para reserva técnica) após o início das dificuldades financeiras. O motivo foi a dificuldade em pagar o aluguel das aeronaves.
Segundo informou a Folha, na última semana, a empresa tinha ainda problemas para pagar fornecedores e precisava de cerca de US$ 30 milhões para voltar a operar no azul. Também foi informado que a companhia aérea vinha mantendo teleconferências diárias com o grupo de fundos que investiu na empresa, em 2006, na tentativa de conseguir um novo aporte.
Apesar de em dezembro do ano passado a administração da BRA ter ido para um grupo de investidores chamado Brazil Air Partners, o controle societário e de gestão continuou com os fundadores da companhia, os irmãos Humberto e Walter Folegatti. Entre os sócios da Brazil Air Partners estão o Bank of America, a Goldman Sachs & Co. e a Gávea Investimentos.
A entrada dos fundos foi divulgada, à época, como o início de uma gestão profissional. Consultores foram contratados pelos novos investidores, mas tiveram dificuldade em conseguir informações e fazer mudanças na empresa por causa da resistência do ex-presidente Humberto Folegatti, que teve a saída confirmada na última quinta-feira.
Especialistas afirmam que os fundos chegaram a investir cerca de US$ 70 milhões, mas tinham relação difícil com Folegatti.
Em setembro, segundo os últimos dados disponíveis, a BRA tinha 4,6% dos vôos domésticos. No acumulado até setembro, segundo a assessoria de imprensa, a BRA transportou cerca de 2 milhões de passageiros.
Com informações da Folha de S.Paulo
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