Crise da BRA mostra fragilidade do país e favorece TAM e Gol, dizem analistas
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A suspensão dos vôos da BRA , anunciada nesta terça-feira, revela a fragilidade do país em uma das áreas que é a base de crescimento econômico, a de infra-estrutura. A opinião é do economista e analista de mercado Miguel Daoud, da Global Financial Advisor.
"Por menor peso que tenha na malha aérea, é uma perda, principalmente quando se tem gargalo na infra-estrutura aeroportuária. Ter menos uma opção não é bom no sentido de atender a demanda, que é crescente", avalia o analista.
Segundo ele, a medida anunciada pela BRA tem implicações institucionais e governamentais, do ponto de vista da infra-estrutura do país, e do consumidor, que pode ser prejudicado pela redução de oferta de assentos. Daoud defende a atuação do governo no setor, a fim de garantir a infra-estrutura do país.
"O governo deveria ter agido [para socorrer a BRA], assim como deveria ter feito com a Varig, porque é um setor prioritário, independentemente do serviço ser ofertado por empresa pública ou privada", diz.
Para o analista de transporte aéreo da corretora Fator, Eduardo Puzziello, as concorrentes Gol e TAM podem se beneficiar com a suspensão dos vôos da BRA. "Para as outras companhias aéreas, é positivo porque sai uma concorrente. Deixa de fazer oferta de assentos em um momento de demanda reprimida", diz o analista. "A Gol e a Oceanair devem ser as mais beneficiadas, devido ao perfil de viagens de lazer dos serviços da BRA", avalia.
Puzziello lembra, no entanto, que a fabricante aeronáutica brasileira Embraer pode ser uma das empresas prejudicadas pela medida da BRA. "A Embraer tem pedido de 20 aeronaves para a BRA, com as primeiras já sendo entregues em 2008. Mas o pedido já foi cancelado pela financiadora da General Eletric", explica o analista.
Miguel Daoud, da Global Financial Advisor, sustenta que a suspensão da operações da BRA é um retrocesso do setor. "Levanta suspeita quanto à incapacidade de o governo manter a infra-estrutura do país. Todo mundo perde. Ninguém ganha. Nem as concorrentes", argumenta.
O analista lembra que TAM e Gol perderam valor de mercado após os desdobramentos do caos aéreo brasileiro. "A Gol já anunciou, inclusive, que está pensando em recomprar suas ações. As companhias aéreas de todo o mundo tem dificuldades de rentabilidade. Quem consegue sobreviver nesse caos?", questiona Daoud.
Segundo Puzziello, à "corrosão do setor aéreo por problemas estruturais", no caso da BRA, se somou a dificuldade de gestão entre o grupo de fundos que passou a investir na empresa a partir de 2006 e o ex-presidente Humberto Folegatti, que teve a saída confirmada na última quinta-feira.
Segundo reportagem da Folha do último sábado, analistas do setor afirmam que os fundos chegaram a investir cerca de US$ 70 milhões, mas tinham relação difícil com Folegatti, que mantém o controle acionário da companhia.
Ainda segundo a reportagem, a BRA precisa de cerca de US$ 30 milhões para voltar a operar no azul.
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Especial


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Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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