Dinheiro
06/11/2007 - 19h49

Crise da BRA mostra fragilidade do país e favorece TAM e Gol, dizem analistas

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A suspensão dos vôos da BRA , anunciada nesta terça-feira, revela a fragilidade do país em uma das áreas que é a base de crescimento econômico, a de infra-estrutura. A opinião é do economista e analista de mercado Miguel Daoud, da Global Financial Advisor.

"Por menor peso que tenha na malha aérea, é uma perda, principalmente quando se tem gargalo na infra-estrutura aeroportuária. Ter menos uma opção não é bom no sentido de atender a demanda, que é crescente", avalia o analista.

Segundo ele, a medida anunciada pela BRA tem implicações institucionais e governamentais, do ponto de vista da infra-estrutura do país, e do consumidor, que pode ser prejudicado pela redução de oferta de assentos. Daoud defende a atuação do governo no setor, a fim de garantir a infra-estrutura do país.

"O governo deveria ter agido [para socorrer a BRA], assim como deveria ter feito com a Varig, porque é um setor prioritário, independentemente do serviço ser ofertado por empresa pública ou privada", diz.

Para o analista de transporte aéreo da corretora Fator, Eduardo Puzziello, as concorrentes Gol e TAM podem se beneficiar com a suspensão dos vôos da BRA. "Para as outras companhias aéreas, é positivo porque sai uma concorrente. Deixa de fazer oferta de assentos em um momento de demanda reprimida", diz o analista. "A Gol e a Oceanair devem ser as mais beneficiadas, devido ao perfil de viagens de lazer dos serviços da BRA", avalia.

Puzziello lembra, no entanto, que a fabricante aeronáutica brasileira Embraer pode ser uma das empresas prejudicadas pela medida da BRA. "A Embraer tem pedido de 20 aeronaves para a BRA, com as primeiras já sendo entregues em 2008. Mas o pedido já foi cancelado pela financiadora da General Eletric", explica o analista.

Miguel Daoud, da Global Financial Advisor, sustenta que a suspensão da operações da BRA é um retrocesso do setor. "Levanta suspeita quanto à incapacidade de o governo manter a infra-estrutura do país. Todo mundo perde. Ninguém ganha. Nem as concorrentes", argumenta.

O analista lembra que TAM e Gol perderam valor de mercado após os desdobramentos do caos aéreo brasileiro. "A Gol já anunciou, inclusive, que está pensando em recomprar suas ações. As companhias aéreas de todo o mundo tem dificuldades de rentabilidade. Quem consegue sobreviver nesse caos?", questiona Daoud.

Segundo Puzziello, à "corrosão do setor aéreo por problemas estruturais", no caso da BRA, se somou a dificuldade de gestão entre o grupo de fundos que passou a investir na empresa a partir de 2006 e o ex-presidente Humberto Folegatti, que teve a saída confirmada na última quinta-feira.

Segundo reportagem da Folha do último sábado, analistas do setor afirmam que os fundos chegaram a investir cerca de US$ 70 milhões, mas tinham relação difícil com Folegatti, que mantém o controle acionário da companhia.

Ainda segundo a reportagem, a BRA precisa de cerca de US$ 30 milhões para voltar a operar no azul.

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Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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