Dinheiro
06/11/2007 - 21h39

BRA cancela vôos e demite 1.100; Anac tenta acomodar passageiros

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da Folha Online

A companhia aérea BRA pediu nesta terça-feira o cancelamento de todos os seus vôos --nacionais e internacionais-- a partir de amanhã e informou que 1.100 funcionários entraram em aviso prévio de 30 dias --não foi usado o termo "demissão". Em comunicado oficial, a empresa informou telefone e site para que os passageiros que compraram seus bilhetes obtenham orientação sobre reembolsos e possível acomodação em vôos de outras companhias.

Na nota, a BRA orienta os passageiros a não se dirigirem aos aeroportos ou às lojas da empresa e pede para ligarem para o telefone (0/xx/11) 3583-0122 --a reportagem da Folha Online tentou telefonar cinco vezes, mas não conseguiu. Também sugere que seus clientes busquem mais informações no site da empresa www.voebra.com.br --no endereço, porém, consta apenas recado com telefone e e-mail para contato.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a BRA indicou mais uma linha de contato com os clientes --o e-mail atendimento@voebra.com.br-- e recomendou que eles insistam em ligar para o número divulgado, pois trata-se de um tronco com linhas seqüenciais. Segundo a empresa, a linha está congestionada devido ao 'impacto da notícia'.

A reportagem também entrou em contato com o guichê da BRA em Congonhas (zona sul de São Paulo), mas ninguém atendeu. No aeroporto internacional de São Paulo em Cumbica, em Guarulhos (região metropolitana de São Paulo), os funcionários disseram que não estão atendendo ninguém.

Apesar de ainda não ter sido notificada oficialmente, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou, após uma reunião que contou com a presença do ministro Nelson Jobim (Defesa), que uma equipe de fiscais foi enviada à sede da empresa para avaliar a situação.

Os diretores da agência informaram ainda que conversarão com as principais empresas aéreas do país para avaliar a possibilidade de acomodação dos passageiros da BRA que já tenham iniciado viagem e que precisarão de ajuda para retornar aos seus locais de origem, caso a empresa realmente paralise as atividades.

A Anac informou também que, segundo prevê a lei, a BRA está sujeita a perder a concessão das rotas que mantém caso não retome os serviços em no máximo 180 dias.

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, defendeu que o governo intervenha na BRA para proteger os passageiros da companhia. "Essa situação é muito preocupante. O governo possui mecanismos para acabar ou reduzir a preocupação dos passageiros que são atendidos pela BRA", disse Baggio.

Para especialistas, a suspensão dos vôos da BRA revela a fragilidade do país em uma das áreas que é a base de crescimento econômico, a de infra-estrutura.

Consumidor

A orientação básica dos órgãos de defesa do consumidor para os passageiros prejudicados por suspensão dos vôos é buscar as companhias aéreas. Pela lei federal, o consumidor tem direito a ser ressarcido pela empresa ou receber um endosso da empresa para embarcar por uma outra companhia área.

Caso o consumidor não seja atendido, o Procon orienta que os consumidores lesados procurem os escritórios regionais do órgão de defesa de consumidor para encaminhar uma solução administrativa para o caso.

O consumidor precisa guardar os bilhetes, inclusive aqueles comprados pela internet, para reivindicar seus direitos.

Crise

A crise na empresa começou nos últimos meses, com a dificuldade de honrar compromissos financeiros. Segundo reportagem da Folha, a empresa precisava de cerca de US$ 30 milhões para voltar a operar no azul. Oficialmente, a BRA informou apenas, nesta terça-feira, que está "procurando concretizar novo aporte financeiro".

Antes disso, no dia 18 de outubro, o então presidente da companhia, Humberto Folegatti (que fundou a BRA em 1999 e renunciou na semana passada), enviou um ofício à Anac reconhecendo problemas operacionais, e os justificou com serviços de manutenção não-programados. A BRA alegou ainda o atraso no recebimento de duas novas aeronaves. A BRA pediu então permissão para readequar a malha de vôos à sua nova frota de aviões, reduzida de 10 em operação para 5 (mais uma para reserva técnica).

A Anac decidiu, no mesmo dia, suspender as vendas de passagens internacionais. A decisão foi provocada pelos problemas registrados com seus Boeings 767, que faziam rotas para o exterior. Um grupo de 35 passageiros esperou para embarcar para a Europa quase 67 horas.

Em setembro, segundo os últimos dados disponíveis na Anac, a BRA tinha 4,6% do mercado doméstico no Brasil. No acumulado até setembro, segundo a assessoria de imprensa, a BRA transportou cerca de 2 milhões de passageiros.

Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 4 opiniões
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 9 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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