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Dinheiro
07/11/2007 - 15h39

Deságio do leilão de linhas de transmissão chega a 51,26%

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O leilão de linhas de transmissão de energia teve deságio médio de 51,26%, informou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Para o diretor Romeu Rufino, o nível dos deságios indica que as linhas ofertadas foram atrativas aos investidores.

O maior deságio foi obtido pela empresa espanhola Cymi Holding, que propôs receita anual de R$ 31,8 milhões pela operação que ligará São João do Piauí (PI) a Milagres (CE). O valor ficou 56,8% abaixo do teto estipulado pela Aneel. O leilão ocorreu nesta quarta-feira, no Rio.

O menor deságio foi da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), que apresentou receita anual com 40% de deságio pela linha entre Jardim (SE) e Penedo (AL). O presidente da estatal, Dilton da Conti, chegou a questionar como as empresas conseguiram bancar deságios tão elevados.

"A questão não é se o estipulado pela Aneel é o certo ou não. O que se deve ver são as questões de financiamento, os possíveis subsídios que existem. As condições não estão tão isonômicas entre as estatais e as empresas estrangeiras", afirmou.

O executivo ressaltou que a Chesf "não está fazendo sacrifício empresarial" para obter o direito de construir as linhas de transmissão levadas a leilão. Mesmo assim, acrescentou, a empresa vai continuar concorrendo.

A Chesf disputou no leilão desta quarta-feira três linhas de transmissão, e obteve êxito em apenas uma delas. As duas derrotas da Chesf foram justamente nos dois lotes ganhos por empresas controladas por capital estrangeiro.

Além da Cymi, que pagou o maior deságio do leilão, a Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), controlada pela colombiana ISA, pagou 56,6% a menos do que o proposto pela Aneel para duas linhas entre as cidades de Colinas (TO) e São João do Piauí (PI).

Romeu Rufino considerou normal o fato de as estatais terem ganho cinco dos sete lotes do leilão. Os leilões anteriores haviam sido dominados por empresas estrangeiras. Ele lembrou que as companhias estatais já têm grande presença no sistema interligado. Para Rufino, é natural que tais empresas participem também da expansão desse sistema.

"As empresas, de um modo geral, foram mais agressivas. O resultado mostra também que as estatais estão evoluindo", observou.

Foram leiloadas concessões por 30 anos para a construção, operação e manutenção de 1.941 quilômetros de nove linhas e quatro subestações em dez Estados (Alagoas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins). A estimativa é que sejam investidos R$ 1,051 bilhão nessas linhas.

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