Com renda maior, consumidor gasta mais para ter qualidade de vida
da Folha Online
Com mais dinheiro no bolso, o consumidor brasileiro deixou de lado itens básicos do abastecimento doméstico para investir em produtos de maior valor agregado e qualidade de vida. Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela LatinPanel, o aumento da renda familiar e a diminuição do desemprego mudaram o perfil de gastos dos domicílios neste ano.
"As famílias passam a ganhar mais do que gastam e ampliaram os dispêndios com itens que proporcionam diretamente uma melhora na qualidade de vida. Habitação, vestuário, alimentação fora do lar e lazer passaram a ter maior representatividade na composição do orçamento", aponta o estudo, que ouviu 8.200 residências e 24 mil pessoas.
A mudança também teve impacto no desempenho positivo da indústria automotiva e no consumo de gêneros alimentícios: "Classe AB gasta 26% a mais com compra à vista de automóvel e puxa boom da indústria automotiva. A Classe C corta itens básicos em busca de melhor condição de vida. A classe DE amplia em 3% o gasto médio".
Segundo o levantamento, a renda média cresceu 5% frente a 2006 e bateu a marca de R$ 1.463 mensais. O gasto médio dos domicílios, por sua vez, evoluiu 4% e chegou a R$ 1.417 ao mês.
Com este resultado, os domicílios passaram a ganhar 3% mais do que gastam mensalmente. Em 2005, as famílias estavam no vermelho e gastavam 3% mais do que ganhavam. Em 2006, passaram a equilibrar as contas, e conquistaram superávit de 2% ao mês.
Nesse ritmo, os gastos com habitação cresceram 9% (R$ 2.588) e passaram a representar 13,4% do orçamento doméstico. A classe C foi a que mais se destacou nesta evolução, saltando de R$ 2.081 no ano passado para R$ 2.365 neste ano.
Os gastos com saúde subiram 8% no comparativo entre este ano e o anterior, a R$ 1.364. O vestuário também consumiu mais recursos --11% na média do país, a R$ 1.170. A pesquisa apontou ainda a evolução de gastos com alimentação fora do lar (alta de 8%) e com lazer (expansão de 7%).
Na contramão desta tendência, a alimentação dentro do lar perdeu força (queda de 11%) no comparativo com 2006. O gasto foi 17 % menor ao mês com frutas, verduras e legumes, e 15% menor com aves, carnes, ovos e peixes.
Regiões
A renda cresceu em praticamente todas as sete regiões pesquisadas pela LatinPanel. As famílias da classe AB só tiveram rendimentos reduzidos na grande São Paulo (-6,6%), Grande Rio (-13,2%) e no sul do país (-1,9%).
A descentralização industrial e o "agrobusiness", por sua vez, puxaram os rendimentos nas demais regiões com destaque para o Centro Oeste (27,4%), interior de São Paulo (7%), interior do Rio de Janeiro, Minas e Espírito Santo (3,4%) e Norte e Nordeste (1,4%).
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