Fundos de pensão podem redirecionar R$ 68 bi que estão em títulos públicos
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online, em Belo Horizonte*
Os fundos de previdência privada poderão redirecionar, entre 2008 e 2010, R$ 68,7 bilhões que atualmente estão aplicados em títulos públicos federais que vencem durante este período. Os valores não devem voltar para essa modalidade, pois já não deverá ser atrativa em razão da queda dos juros.
Ainda neste semestre os fundos devem reinvestir R$ 17,1 bilhões que estão em títulos em vencimento. No total, R$ 85,8 bilhões devem ser destinados a outros investimentos. Não há definição se serão direcionados para aplicações de renda fixa ou variável.
Segundo Carlos Eduardo Gomes, diretor de Assuntos Econômicos da SPC (Secretaria de Previdência Complementar), do Ministério da Previdência, os fundos têm, neste ano, R$ 172,5 bilhões investidos em títulos --o que representa 15% da dívida nas mãos dos fundos de pensão. No início do que vem, deverão ser R$ 155,4 bilhões.
Segundo o diretor da SPC, os títulos públicos representam 44,2% dos R$ 390 bilhões que os fundos de pensão têm investidos. Outros 33% estão em operações de renda variável, como ações.
De acordo com Fernando Pimentel, presidente da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) os fundos de pensão têm modificado suas aplicações de renda fixa para variável, influenciados pelas reduções nas taxas de juros. "O deslocamento é uma tendência, mas é claro que depende da maturação de cada fundo", afirmou.
A taxa básica de juros --que baliza o rendimento dos títulos públicos-- está atualmente em 11,25% ao ano. Há cinco anos, estava quase o dobro disso (22% ao ano), o que justificava a alocação de grande parte dos ativos dos fundos de pensão nestes papéis.
Segundo ele, há cinco anos a participação dos modelos era de 70% em renda fixa e 30% em variável. Atualmente os índices estão em 59% para renda fixa, 33% para variável e o restante em outras aplicações, como imóveis e empréstimos a participantes.
"Quando os juros estavam mais altos, 20% das aplicações em renda variável migraram para a fixa. Com essa nova tendência, uma parte vai voltar para a variável, mas não sei se é toda", afirmou.
De 2005 até o mês de agosto, cerca de R$ 15,7 bilhões que estavam aplicados em investimentos de renda fixa foram deslocados para modelos de renda variável.
A SPC determina em 50% o limite dos investimentos que podem ser dirigidos a modalidades de renda variável.
Carlos Eduardo Gomes e Fernando Pimentel participam do 28º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, em Belo Horizonte.
A jornalista viajou a convite da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar)
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