Dinheiro
09/11/2007 - 10h50

Telecom Italia espionou teles brasileiras, diz revista

da Folha de S.Paulo

A Embratel, a Telefônica, a Vivo e a Telemar (Oi), além da Brasil Telecom (BrT), foram algumas das empresas no Brasil que foram investigadas entre 2003 e 2005 por então funcionários da Telecom Italia, segundo a revista italiana "L'Espresso", citando documentos obtidos por ela.

Inicialmente, acreditava-se que a suposta espionagem no país estava concentrada na Brasil Telecom, companhia na qual a Telecom Italia era acionista e em que disputava o controle com seus sócios.

De acordo com a "L'Espresso", a espionagem da operadora se estendia da Europa até a América do Sul. Entre as empresas que estariam sendo investigadas estão a britânica Vodafone e a Vivo --da espanhola Telefónica, em parceria com a Portugal Telecom-- e a Telmex e a Embratel (do mexicano Carlos Slim).

Slim e a Telefónica disputavam, desde 2005, a aquisição de participação na companhia italiana, que é dona da TIM no Brasil. O negócio, anunciado em abril deste ano, foi vencido pela espanhola.

Pedido de prisão

As informações obtidas pela publicação fazem parte do pedido de prisão de três ex-funcionários da operadora italiana que foram detidos na segunda-feira, em Milão. Eles seriam integrantes do "Tiger Team" (Equipe Tigre), um grupo de hackers que supostamente espionava as rivais da empresa.

Um dos detidos foi Angelo Iannone, ex-chefe de segurança da operadora italiana na América Latina. Iannone teria ordenado a espionagem de banqueiros, jornalistas, funcionários públicos e concorrentes da Telecom Italia no Brasil, segundo disse à Folha, no final de 2006, o ex-detetive Mario Bernardini, ex-colaborador da Telecom Italia e uma das principais testemunhas do caso.

Além de Iannone, foram presos o técnico em informática Alfredo Melloni e Roberto Rangoni Preatoni, filho do empresário Ernesto Preatoni. Os três são acusados de vários delitos, como associação para o crime, violação de sistemas de informática e interceptação ilegal de dados.

Disputa acionária

Segundo os investigadores, eles espionaram dirigentes da Brasil Telecom, entre 2003 e 2005, durante a disputa entre acionistas pelo controle da empresa.

De acordo com autoridades italianas, eles espionaram a ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cico e outros dirigentes da companhia. Ainda segundo elas, também foram investigados membros da empresa de gerenciamento de riscos Kroll, do escritório de advocacia Giorgianni, que cuidava dos interesses da Brasil Telecom, e jornalistas italianos.

O controle da BrT era dividido entre fundos de pensão (maiores investidores nacionais), Citigroup (banco americano), Opportunity (do banqueiro Daniel Dantas) e a própria Telecom Italia. Os quatro sócios lutavam, desde 2001, pelo direito de administrar a Brasil Telecom, hoje controlada pelos fundos de pensão e pelo Citigroup após Dantas perder processo judicial.
A tele italiana vendeu em julho aos fundos de pensão suas ações na BrT por US$ 515 milhões.

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