OceanAir assumirá operações da BRA
DEISE DE OLIVEIRA
YGOR SALLES
da Folha Online
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou nesta sexta-feira, no Rio, que a OceanAir vai assumir as operações da BRA. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) foi a responsável por intermediar a negociação entre as duas empresas, ficando acertado que a OceanAir assumirá os passageiros, as rotas e as aeronaves da BRA.
Segundo informações fornecidas pelo Ministério da Defesa, os vôos charter --fretados-- da BRA já devem voltar neste final de semana, e os vôos de linha durante a próxima semana.
A agência reguladora recebeu a documentação relativa ao acordo e fará uma análise em relação aos aspectos operacionais, de segurança e jurídicos antes de referendá-lo. Também irá colocar um agente em cada vôo da BRA para garantir que as operações ocorram normalmente.
| Diego Padgurschi/Folha Imagem |
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| Passageiros com bilhetes da BRA dependem de disponibilidade de outras companhias |
O acordo prevê que os funcionários da BRA deslocados para a operação não estejam em aviso prévio --nesta semana, a companhia, ao pedir o cancelamento de seus vôos, informou também que seus 1.100 funcionários entrariam em aviso prévio.
Caso o funcionário já tenha recebido o comunicado sobre a demissão, ele deverá ser retirado. Por enquanto, não há garantias que todos os funcionários farão parte do acordo firmado hoje.
Segundo Jobim, o acordo não está formalmente assinado porque ainda falta definir os aviões que serão transferidos, uma vez que alguns deles possuem mandado judicial de apreensão.
A OceanAir informou que não confirma o acordo. Segundo a empresa, o presidente, German Efromovich, está no Rio de Janeiro e só deve se pronunciar em uma coletiva de imprensa na segunda-feira.
O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos, Uébio José da Silva, considera positiva a iniciativa da OceanAir em assumir as operações da BRA. "Vamos buscar negociar com a OceanAir para que aproveite o maior número de funcionários da BRA", disse Silva.
Para ele, a BRA e a OceanAir têm a mesma vocação empresarial. "A BRA e a OceanAir já tinham a mesma vocação empresarial e isso acabou corroborando para a OceanAir assumir a BRA e aumentar sua parcela no mercado".
Crise
A crise na BRA veio à tona justamente quando o acordo de compartilhamento de assentos com a OceanAir, que começou a valer em 18 de junho, foi cancelado três meses depois.
A BRA pediu à Anac, na última terça-feira, o cancelamento de todos os seus vôos e informou que 1.100 funcionários da companhia aérea entraram em aviso prévio de 30 dias.
Desde então, os passageiros são realocados na TAM, Gol, Varig, WebJet e OceanAir, que se comprometeram a endossar as passagens. Segundo a BRA, cerca de 70 mil passagens foram vendidas até março de 2008.
Perfil
Em setembro, segundo os últimos dados disponíveis, a BRA tinha 4,6% dos vôos domésticos. No acumulado até setembro, segundo a assessoria de imprensa, a BRA transportou cerca de 2 milhões de passageiros. A BRA fazia, em média, 315 vôos por mês para 26 destinos nacionais e três internacionais.
Já a OceanAir engloba 2,6% do mercado doméstico. Em entrevista à Folha nesta sexta, o presidente da companhia afirmou que a empresa tem como objetivo ampliar tal fatia para 15% nos próximos três anos, avançando inclusive no mercado externo. Com 1.400 funcionários, a OceanAir integra o grupo Synergy, com faturamento de US$ 3,7 bilhões ao ano.
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