Empresas dizem estar inseguras com mudanças no setor de petróleo
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Representantes de empresas do setor privado de petróleo e gás manifestaram nesta sexta-feira preocupação com o futuro do marco regulatório do setor no País.
O presidente do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), João Carlos de Luca, disse que o setor privado quer discutir com o governo o modelo de concessão das áreas do "Pré-sal", cujas estimativas apontam para a ocorrência de reservas gigantes de óleo e gás.
O presidente da norueguesa Statoil no Brasil, Jorge Camargo, mostrou-se preocupado com a estabilidade das regras do setor, depois que o governo decidiu retirar 41 blocos da 9ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
"Vemos essas mudanças com preocupação. O setor necessita de estabilidade. Vivemos uma situação de certa insegurança sobre qual o modelo que o governo vai querer adotar daqui para frente", afirmou.
Novo modelo
A ministra Dilma Rousseff declarou ontem que o governo vai estudar um novo modelo de concessão para as áreas do "Pré-sal".
João Carlos de Luca acrescentou que a decisão de retirar as áreas da 9ª Rodada traz impacto na "previsibilidade e credibilidade" do leilão, marcado para os dias 27 e 28 deste mês. Ele lembrou que a suspensão da 8ª Rodada, no ano passado, por determinação da Justiça, já atrapalhara o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás.
Segundo de Luca, o IBP vinha trabalhando para restabelecer o "acidente de percurso" na 8ª Rodada.
O presidente do IBP descartou a possibilidade de tentar barrar a decisão do governo sobre a 9ª Rodada na Justiça.
"É uma decisão soberana do governo. Não vamos gastar energia com essa questão".
Na hora devida
O presidente da norte-americana Devon Energy no Brasil, Murilo Marroquim, considerou que a decisão de retirar os blocos às vésperas da rodada não foi tomada na hora devida.
Ele disse que o governo já sabia da possibilidade das reservas gigantes no "Pré-sal" há alguns meses, e que não poderia mudar as regras em cima da hora.
"O Pré-sal não é novidade para a indústria, todos já sabiam dessa possibilidade. As empresas investiram bastante na pesquisa e aquisição de dados para o leilão, e agora terão que rever isso tudo", afirmou.
Marroquim ressaltou que a retirada dos 41 blocos tornará a rodada "bem menos atrativa".
O presidente da canadense Encana, Júlio Moreira, chegou a questionar até mesmo a estabilidade de regras em outros setores da economia. Ele lembrou que a medida adotada para o leilão põe em credibilidade até mesmo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"Quem me garante até que ponto as outras coisas não podem mudar também?", indagou.
Mais investidores
Já o presidente da britânica BG Group, Luiz Costamillan, defendeu que a participação de mais investidores no setor poderá acelerar os investimentos para a descoberta de novas reservas. A BG detém 25% do campo de Tupi [cujas reservas estimadas podem chegar a até 8 bilhões de barris], na Bacia de Santos, sendo sócia da Petrobras no projeto.
"Queremos avançar no menor prazo possível. Mas é o operador quem decide", afirmou, ao se referir à expectativa de produção no campo. O operador, no caso, é a Petrobras, que detém 65% de participação no ativo.
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