Acordo entre OceanAir e a BRA garante vôos para o fim de semana
MARINA FALEIROS
Colaboração para a Folha de S.Paulo
A OceanAir e a BRA fecharam um acordo na tarde de ontem para garantir vôos aos clientes da BRA que adquiriram pacotes turísticos para este final de semana. Com isso, dois aviões da BRA deverão voltar a voar, o que não acontecia desde a última quarta-feira, quando a empresa pediu a suspensão de suas operações à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
O acordo está restrito às rotas não regulares da BRA, que serão operadas sob a responsabilidade da OceanAir. A empresa vai utilizar um avião próprio e duas aernovaves da BRA, inclusive com a tripulação e mecânicos dela. Conforme nota divulgada pela Anac, está sendo estudado um acordo ainda maior, que permitiria à OceanAir, já no início da próxima semana, operar os vôos comerciais regulares da BRA com aeronaves e tripulação da própria BRA. A nota da Anac fala apenas em um "primeiro acordo" fechado para o final de semana. Segundo a Folha apurou, será difícil um acordo mais permanente ser aprovado pela agência reguladora.
Ontem a Anac também divulgou números do setor, que apontaram uma queda da participação da BRA no mercado doméstico em outubro, por causa da crise. A empresa tinha 4,6% do mercado em setembro, mas fechou com 2,4% no mês passado. A BRA operava 10 aviões e fazia 26 rotas nacionais e 3 internacionais, com 35 vôos domésticos de segunda a sexta. A OceanAir, hoje com 2,6% de participação nos vôos domésticos, opera 26 aviões, voa para 46 cidades no Brasil e faz um vôo internacional, para a Cidade do México.
A absorção da BRA pela OceanAir, segundo Paulo Sampaio, consultor do setor de aviação, deverá acontecer devido ao interesse nas rotas e nas aeronaves da empresa, o que daria condições à OceanAir de crescer rapidamente.
Já para Respício do Espírito Santo Jr, professor de transporte aéreo da UFRJ (Universidade Federal do Rio), um acordo entre OceanAir e BRA seria um grande risco operacional, já que o negócio seria mais interessante justamente por causa dos aviões. "A OceanAir não levaria vantagem nisso, a empresa teria aeronaves alienígenas na sua frota, hoje composta pelos Fokker 100 e 50." Mais previsível, afirma, seria uma aquisição por parte da WebJet, que já opera o mesmo tipo de aeronave --o Boeing 737-- da BRA.
Para Lúcia Helena Salgado, do Ipea, a atitude rápida do governo diante do desaparecimento de uma companhia aérea é bem-vinda. "É importante que haja outro ator que tenha condições de ocupar algum espaço no mercado e que possa reduzir essa questão do duopólio [Gol e TAM] que se perpetua e traz custos."
A Justiça rejeitou ontem pedido de trabalhadores do Rio de Janeiro de penhora de bens da BRA para garantir o pagamento dos funcionários.
Com JANAÍNA LAGE, da Folha de S.Paulo, no Rio, e MAELI PRADO, da Folha de S.Paulo
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- OceanAir assume operações da BRA por 90 dias, diz ministro
- Governo e empresas tentam acordo para garantir viagens da BRA
- BRA assegura endosso apenas de parte das passagens emitidas
- Varig passa a ter vôos diários para Buenos Aires na próxima terça
Especial

