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Dinheiro
12/11/2007 - 12h14

China bate recorde comercial e reforça pressão por desvalorização cambial

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da Folha Online

O superávit comercial da China bateu um novo recorde mensal em outubro, a US$ 27,050 bilhões, segundo dados anunciados pelo governo local nesta segunda-feira.

O recorde mensal anterior pertencia a junho, com US$ 26,910 bilhões.

Entre janeiro e outubro, o excedente chega a US$ 212,4 bilhões, o que representa uma alta de 59% em relação ao mesmo período em 2006.

O recorde põe mais lenha na fogueira da crescente pressão dos Estados Unidos e da União Européia para pôr freio à fragilidade da moeda chinesa, o yuan.

O anúncio ocorre a poucas semanas da visita à China de uma delegação americana e uma européia, assim como do presidente francês Nicolas Sarkozy, para pressionar em favor de uma valorização do yuan.

"O superávit comercial recorde aumentará definitivamente a pressão americana para subir o valor do yuan", disse Shi Lei, um analista da consultora TX Consulting, com sede em Pequim.

As exportações chinesas em outubro subiram 22,3%, chegando aos US$ 107,7 bilhões em relação ao mesmo mês do ano passado e empurrando o valor do superávit mensal pouco mais além do recorde registrado em junho.

Já o superávit acumulado dos primeiros 10 meses cresceu 59% em relação ao mesmo período de 2006, e que já supera o recorde do ano passado de US$ 177,5 bilhões.

Sarkozy, esperado para sua primeira visita oficial à China de 25 a 27 de novembro, disse na semana passada que pressionaria Pequim sobre sua moeda "desvalorizada".

"Irei à China e lhes direi que eles têm um sucesso espetacular. Não precisam ter uma moeda tão desvalorizada para terem sucesso", afirmou Sarkozy durante uma visita em Washington.

Pouco depois, chegarão a Pequim uma delegação da União Européia dirigida pelo presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, e outra dirigida pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson. Ambos levarão mensagens similares à do presidente francês.

O embaixador da Comissão Européia na China, Serge Abou, disse na segunda-feira que a Europa está perdendo a paciência com os chineses.

"Não podemos sustentar de maneira indefinida (...) déficits que crescem e crescem", disse a jornalistas em uma entrevista coletiva em Pequim que previa a visita da delegação européia para o final de novembro. "Queremos mais atenção a nossas necessidades e exigências", acrescentou.

Os analistas disseram que a pressão internacional antecipada provavelmente desempenhou um papel no superávit recorde de outubro, já que empresas chinesas teriam apressado suas exportações para antes de uma eventual apreciação do yuan.

Um yuan mais forte tornaria as exportações chinesas mais caras.

"Creio que a principal razão é a expectativa pela apreciação do yuan", disse Shi.

Na verdade, a cifra de outubro foi inferior à esperada por alguns analistas, devido especialmente a uma alta de 25,5% nas importações no mês, que alcançaram os US$ 80,7 bilhões.

Com France Presse

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