Empresa fará alerta sobre brinquedo com substâncias alucinógenas
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A Long Jump --importadora do brinquedo Bindeez no Brasil-- informou nesta segunda-feira ao DPDC (Departamento de Proteção e Defesa ao Consumidor) que fará um alerta sobre o produto. Nos Estados Unidos, brinquedos da mesma linha continham uma substância que, em contato com água, se transforma em GHB, droga conhecida como "ecstasy líquido".
De acordo com a coordenadora-geral de Assuntos Jurídicos do DPDC, Maria Beatriz Salles, a ação será feita em duas etapas. A partir de quarta-feira, a empresa veiculará uma campanha em rádio, televisão e jornais para alertar os pais de que o produto pode ser perigoso e deve ser mantido longe do alcance das crianças. Isso será feito até o dia 23, quando fica pronto laudo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). O órgão fará um teste específico para verificar se o brinquedo contém mesmo a substância alucinógena.
| Divulgação |
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| O brinquedo Bindeez (versão do Aqua Dots), fabricado na China. |
Se for comprovado que o brinquedo é danoso, a empresa terá que recolher o produto (justamente por conta dessa dúvida ainda não foi anunciado um recall, que pressupõe a troca imediata do item) e ressarcir os consumidores. Mesmo se o laudo do Inmetro mostrar que o brinquedo não representa perigo à saúde das crianças, os clientes poderão ser indenizados pelos dias em que não puderam usar o produto.
A empresa já havia informado que os lotes vendidos no Brasil são anteriores aos enviados aos EUA, sendo feito com técnicas diferentes.
"A Long Jump disse que o lote enviado para o Brasil não tinha problemas. Ainda assim a empresa fará o recall preventivamente", disse a coordenadora.
O DPDC notificou a Long Jump na quinta-feira da semana passada. De acordo com Salles, se tiver indício de que a empresa descumpriu o Código de Defesa do Consumidor, poderá ser instaurado um processo administrativo, que pode resultar em multa de até R$ 3 milhões.
O brinquedo
Fabricado na China, o brinquedo é composto de um conjunto de bolinhas coloridas usadas para criar figuras tridimensionais. Ao serem molhadas, as bolinhas grudam umas nas outras. O conjunto é vendido em diversas versões --algumas vêm acompanhadas de acessórios como um miniventilador, uma caneta para compor as figuras e placas sobre as quais dispor as bolinhas. O brinquedo é recomendado a crianças acima de 4 anos.
Na semana passada, a CPSC (Comissão de Proteção ao Consumidor de Produtos, na sigla em inglês) determinou que 4,2 milhões de unidades do brinquedo saiam do mercado. Canadá e Austrália também pediram a retirada.
Segundo a comissão americana, as bolinhas são cobertas com uma camada de um produto que as grudam umas às outras. O produto pode causar intoxicação quando ingerido, levando a problemas respiratórios, espasmos e coma.
Uma das crianças intoxicadas com o produto nos EUA tinha um ano e oito meses. Depois de ingerir as bolinhas, a criança teve tontura, vomitou diversas vezes e teve de ser hospitalizada. A outra criança apresentou quadro semelhante e ficou hospitalizada por cinco dias.
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