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Dinheiro
13/11/2007 - 18h20

BB não está voltado para o lucro como bancos privados, diz Mantega

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LÍSIA GUSMÃO
da Folha Online, em Brasília

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que está satisfeito com o lucro do Banco do Brasil (BB), que cresceu 50,3% no terceiro trimestre de 2007 em comparação com o mesmo período de 2006. Segundo ele, o Banco do Brasil não está voltado para o lucro como os bancos privados. E defendeu a redução do lucro de todo o sistema financeiro.

"O papel do Banco do Brasil não é ser o mais lucrativo do país. O papel dele é aumentar o volume de crédito, financiar a agricultura e o capital de giro das pequenas e médias empresas. E ele está cumprindo adequadamente seu papel", disse o ministro na cerimônia de incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP) pelo BB no Palácio do Planalto.

Para o ministro da Fazenda, os empréstimos para agricultura, que têm forte participação do Banco do Brasil, são menos rentáveis, o que tem impacto sobre o lucro. "O papel dos bancos públicos é fornecer mais crédito, preencher lacunas que não são atendidas pelos bancos privados, oferecer mais crédito para agricultura habitação e, ao mesmo tempo, fomentar a concorrência", avaliou Mantega.

Lucro

O Banco do Brasil sustentou até setembro deste ano a marca recorde em termos de lucro, quando no ano passado obteve, de janeiro a dezembro, R$ 6,224 bilhões --valor ajustado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até setembro de 2007.

Neste ano, no entanto, o Itaú, entre janeiro e setembro, registrou um lucro de R$ 6,444 bilhões. O resultado supera o lucro anual (em 12 meses) de qualquer banco brasileiro de capital aberto nos últimos 20 anos. O lucro do Itaú representa um crescimento de 112,7% em relação ao resultado obtido no mesmo período de 2006, de R$ 3,029 bilhões.

Para o ministro Guido Mantega, no entanto, os bancos devem ter lucros menores. "Eu diria que o ideal seria que todo o sistema financeiro tivesse lucros um pouco menores. Uma parte do lucro dos bancos privados é advinda de vendas de ativos. Então tem que descontar isso na comparação do lucro dos bancos públicos e privados", defendeu o ministro, acrescentando que os acionistas do BB estão lucrando "bastante". "É só ver a valorização das ações do Banco do Brasil".

Banco do Piauí

O ministro da Fazenda afirmou ainda que a incorporação do Banco do Estado do Piauí habilita o Banco do Brasil a competir cada vez mais no mercado financeiro.

"O Banco do Brasil não ficará para trás nesta corrida que está havendo para aquisições de bancos privados de modo a dar mais competitividade ao sistema", disse o ministro.

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