Leste da Ásia resiste a crise dos EUA e alta do petróleo, diz banco
da Efe, em Pequim
A economia do leste da Ásia se manterá robusta em 2008, apesar da crescente preocupação com os efeitos da crise hipotecária nos Estados Unidos e do alto preço do petróleo, informou nesta quinta-feira o economista-chefe do Banco Mundial para o leste da Ásia, Milan Brahmbhatt, ao divulgar a atualização semestral do relatório do banco para a região.
O banco anunciou uma expectativa de expansão média, pelo segundo ano consecutivo, de 8% em 2007 para a região, e uma ligeira redução da taxa para 2008.
"O impacto da crise hipotecária nos EUA e a nova alta do preço do petróleo aumentam claramente os riscos negativos. No entanto, esperamos que o forte crescimento na região se mantenha em 2008", comentou Brahmbhatt.
Se o preço médio do petróleo se mantiver em US$ 90 por barril no próximo ano, o banco calcula que a perda de receita na região seria de 1% do PIB.
As exportações do leste da Ásiá para os Estados Unidos --que representam 7% do PIB (Produto Interno Bruto) da região-- começaram a cair, mas a queda é compensada por um aumento do investimento e do consumo na China e em outros países.
Em 2007, o crescimento previsto pelo banco para a China --maior economia emergente do planeta-- é de 11,3%. Para 2008, a previsão é de 10,8%.
O Vietnã terá crescimento de 8,3% neste ano (8,2% em 2008); as Filipinas terão expansão de 6,7% (6,2% em 2008); a Indonésia, de 6,3% (6,4% em 2008); a Malásia, de 5,7% (5,9% em 2008); a Coréia do Sul, de 4,8% (5,1% em 2008); a Tailândia, de 4,3% (4,6% em 2008); e o Japão, de 2% (1,8% em 2008), segundo o relatório.
Os nove principais países da região somam hoje a maior reserva de divisas de sua história, com um aumento de US$ 451 bilhões entre janeiro e setembro, até US$ 2,5 trilhões. A China acumula cerca de 80% do total.
O chefe do escritório do Banco Mundial em Pequim, Bert Hofman, comentou a alta liquidez e a inflação da China, que chegou a 6,5% em outubro. Ele explicou que o governo chinês está tentando reduzir o crescimento de suas exportações, mas "ainda pode fazer mais".
A recomendação de Hofman é "estimular o consumo, subir as taxas de juros e corrigir o câmbio, produzindo um efeito benéfico no problema da liquidez".
Brahmbhatt disse também que, pela primeira vez, o número de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia na região ficou abaixo dos 500 milhões, contra 1 bilhão em 1990. O relatório destaca, no entanto, que "a pobreza se transformou num arrasador problema rural".
A cada vez maior diferença entre a renda nas zonas rurais e urbanos nos nove países é um dos principais embriões de conflito na região.
A receita para solucionar o problema, segundo o especialista em Agricultura do Banco Mundial, Luc Christiansen, "é investir mais em áreas rurais".
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